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Alguns anos atrás, Ava DuVernay lançou "Selma", que a colocou rapidamente num hall de grandes diretoras da atualidade. Depois disso ela lançou apenas um duvidoso longa de ficção, e ficou mais em documentários e séries. Por isso, a chegada dela em Veneza é muito comemorada!
Aliás, Ava fez história! Ela se tornou a primeira mulher negra americana a estrear em competição em Veneza! "Origin" é baseado em um ensaio publicado pela escritora Isabel Wilkerson, "Casta - As origens de nosso mal-estar" (2020), um best-seller que traça um paralelo entre as raízes do racismo nos Estados Unidos, na Alemanha nazista e no sistema de castas na Índia, de tradição milenar. O filme é a jornada para dar vida a esse livro. O longa é estrelado por Aunjanue Ellis-Taylor, Jon Bernthal, Niecy Nash-Betts, Vera Farmiga, Audra McDonal e Nick Offerman. E grande parte dos elogios do filme estão no seu bom elenco. Assim como em "Selma", Ava sabe muito bem escolher seus atores. Mas a crítica se dividiu quanto a narrativa do filme. Por ser um livro ensaio, ficou a sensação de que talvez um documentário seria melhor aproveitado. Mas, de qualquer forma, ninguém nega que Ava cada vez mais se torna uma das vozes mais importantes do cinema atual. Há atuações sólidas nesta dramatização da tentativa de Isabel Wilkerson de explicar o racismo como um aspecto do sistema de castas, mas poderia ter sido melhor como documentário. O que torna o filme de DuVernay tão essencial é a maneira como ele aborda a questão mais difícil da América. “Origin” faz comparações, apresenta exemplos e permite discussão. E tira a ênfase da temida “palavra com R”, o racismo, que tem uma maneira de desencadear a fragilidade branca e interromper conversas significativas em seu caminho. O filme vai fazer as pessoas pensarem e falarem. Do jeito que DuVernay dirige, “Origin” é um tornado de ideias. Assistir Ellis-Taylor reuni-los é como testemunhar Russell Crowe fazendo matemática avançada em “Uma Mente Brilhante” ou ver detetives em um filme de David Fincher diante de um quadro de avisos cheio de pistas, ofegantes: “Tudo significa alguma coisa!” Através das viagens de Isabel pelo mundo, durante as quais entrevista pessoas sobre o impacto da casta nas suas vidas, e de conversas com o seu editor, compreendemos como a tristeza molda o livro. O processo, como acontece com qualquer empreendimento artístico, é ao mesmo tempo isolador e gratificante. Já vimos muitas vezes a história de uma mulher em busca de si mesma após uma tragédia, mas em Origin, DuVernay carinhosamente a torna sua. Transformar qualquer livro popular em filme é um campo minado. Ser muito fiel pode resultar em uma bagunça exagerada. Muito infiel, você corre o risco de perder os fãs. Mas é preciso ter ainda mais consideração ao adaptar um livro de não-ficção para um filme narrativo. Em casos como “Nomadland”, “Capote” e o próximo “Killers of the Flower Moon”, os cineastas seguiram essa linha, mostrando-nos os núcleos de seus livros através dos olhos de protagonistas dramáticos. Do outro lado da equação está “Origin”, a nova adaptação estranha e desajeitada de Ava DuVernay do best-seller de 2020 “Casta”, de Isabel Wilkerson. O filme equivocado aparece como um irmão distorcido de “Comer Rezar Amar”, em que o autor do livro se torna o protagonista do filme, levando-nos a uma turnê mundial de atrocidades históricas. A melhor coisa que pode ser dita sobre “Origin" – além do fato inegável de que foi feito com competência – é que realmente dá vontade de ler o livro. Com seu estilo visual único e uma potência de performances, Ava DuVernay continua a se estabelecer como uma das vozes mais importantes do cinema contemporâneo.
AUTOR DO POST
Danilo Teixeira
Editor do Termômetro Oscar | CETI
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