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Ontem Veneza presenciou a estreia do novo filme de Dennis Villeneuve, “A Chegada”. O promissor diretor canadense, que no ano passado fez enorme sucesso com “Sicario: Terra de Ninguém” recebendo três indicações ao Oscar, explora o universo extraterrestre neste drama de ficção científica que traz Amy Adams, Jeremy Renner e Forrest Whitaker nos papéis principais. O longa chamou a atenção no início da temporada pela temática proposta que há muito tempo não é explorada com qualidade por Hollywood: o contato entre humanos e alienígenas. Além da possibilidade de ver Amy entregar um bom personagem e enfim levar sua esperada estatueta da Academia para casa. Veneza parece concordar com as expectativas. Nas telas vemos misteriosas naves espaciais chegar a Terra. Para realizar a possível comunicação, é chamada uma equipe de especialistas em linguística, liderado por Louise Banks (Amy Adams), para estudar e traduzir o “idioma” alien. Neste momento a humanidade está a beira de uma guerra global, o que faz com que Banks e a equipe corra contra o tempo para encontrar as respostas. Quando a encontra, ela descobre algo que pode ameaçar sua vida, e possivelmente a humanidade. A impressionante sequencia de abertura já é o suficiente para deixar todos da plateia perplexos diante do que virá. Ela é filmada em um apertado close-up e em tons quentes, em uma estética visual muito diferente das tomadas largas de cores desbotadas do resto do filme. Como um lembrete da vida antes de uma perda e a vida após. Este é o grande ponto do filme, a expectativa. Villenueve parece um grande maestro em cena, trazendo um incrível poder de harmonizar diversas influencias, é possível você encontrar Malick, Nolan, Shyamalan e Spielberg, para enfim ele deixar o seu estilo. Inclusive é com “Contatos Imediatos de 3º Grau”, de Steven Spielberg, que mais “A Chegada” parece, não só pela temática, mas pela inquietação que ela produz. Esse desconforto, segundo o Indiewire, está na construção estética do filme. “Desde a pontuação metálica da música de Jóhann Jóhannsson e das piscinas negras da fotografia de Bradford Young, passando pela curiosidade feroz de Adams, faz com que cada elemento seja perfeito sozinho, porém é muito melhor em conjunto. Todos eles suportam a corrente de medo e intensidade que se tornou a assinatura de Villeneuve.” O diretor agrega positivamente a sua ousadia, porque o filme poderia cair facilmente no absurdo em seu roteiro, mas consegue manter-se sóbrio e interessante. Escrito por Eric Heisserer, em adaptação de um conto de Ted Chiang, o texto é equilibrado e também responsável em manter o suspense necessário. A solução para a comunicação entre humanos e aliens, sem spoilers, é inteligente e satisfatória para o espectador. Em todo o tempo do filme há um convencional drama prestes a explodir numa guerra, que é aumentada pela paranóia da internet e pelos vídeos do YouTube. Se o roteiro é bom, a direção excelente, a fotografia e a trilha sonora bem trabalhadas, o que há de errado no longa? A pós chegada. O The Guardian afirma que “Inevitavelmente, estes momentos de "contato" são onde o verdadeiro impacto e atmosfera do filme tem que estar. E Villeneuve não decepciona em sequências de estranheza e claustrofobia, embora admita que o filme é mais eficaz antes de a forma física dos alienígenas ser revelada.” Pois é, a chegada em si não é nada impressionante. Como o Variety bem indicou, a reação do público soa como “Hein?”. Todo o mistério e suspense intrigante do início, não é realmente desenvolvido no final. “Você sente que teve um encontro próximo com o que poderia ter sido um filme surpreendente, mas não o contato real.” Por justamente ter alta complexidade e o final ser um grande exercício cerebral, por vezes confuso, o filme recebeu algumas vaias. Todo o destaque de atuação está sobre Amy Adams, habitualmente ótima. Após as vitórias de Julianne Moore e Leonardo DiCaprio nas últimas edições do Oscar, a atriz automaticamente recebeu a famosa alcunha de injustiçada pela Academia, trazendo sobre ela grande torcida para que consiga superar o mais rápido possível. De fato sua carreira é excelente e já poderia ter sido premiada por outros papéis. Este ano ela está em uma corrida dupla, já que além de “A Chegada” está em “Nocturnal Animals”, que também estreara em Veneza. Quanto a sua atuação neste, não há como negar que o outro pilar está sobre ela, sua interpretação está excelente. A personagem de Amy é complexa, cheia de camadas. Junto a sua grande missão de interpretar o “idioma” extraterrestre, paira sobre ela uma tragédia pessoal que traz ainda mais carga dramática sobre suas atitudes. Ao que se percebe, ela está firme na corrida por Melhor Atriz. Por fim, “A Chegada”, mesmo com as vaias, conseguiu manter o hype de expectativas sobre ele e a sua corrida rumo ao Oscar se mantém estável. O responsável por isso sem dúvidas é Dennis Villeneuve, seguramente um cineasta em ascensão e um dos melhores de sua geração. Ele tem o controle sobre a sua história e cria lastro para a sua partida rumo aos reinos do visionário e do sobrenatural. A qualidade apresentada é muito superior aos populares do gênero, como “Independence Day” ou “Distrito 9”, este assemelhasse aos que os grandes diretores já fizeram, mesmo com uma falha aqui outra ali. Ainda ouviremos muito sobre “A Chegada” e Amy Adams na temporada, principalmente quando “Passengers”, outro filme de sci-fi, estrear. Como ainda ouviremos por muitos anos sobre Dennis Villeneuve e sua genialidade. O filme estreia no Brasil no dia 10 de Novembro. Danilo Teixeira - equipe CETI!
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