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Depois de Veneza e Toronto, abrimos as portas para o Festival de Nova York! Como sempre acontece, em Nova York temos menos novidades, mas mesmo assim, alguns nomes importantes da temporada.
Hoje vamos falar sobre a estreia de "Till", dirigido por Chinonye Chukwu, que foi muito premiada em 2019 com "Clemência". "Till" é a biografia de Emmett Till, um adolescente negro, que foi brutalmente assassinado aos 14 anos no Mississipi, em 1955. A dona da uma loja de conveniências da região alegou ter sido ofendida pelo menino que, após a declaração, foi covardemente linchado por um grupo de homens. O fato de que os assassinos foram absolvidos, causou uma comoção nacional e impulsionou movimentos contra a violência à pessoas negras no país. O longa conta com nomes como Frankie Faison, Haley Bennett, Jalyn Hall, Whoopi Goldberg e é protagonizado por Danielle Deadwyler. E é sobre ela que precisamos falar: Danielle foi muito elogiada, e a crítica disse que o filme tem cenas em que ela realmente mostra merecer um Oscar! A diretora havia prometido que não seria um filme violentamente gráfico, porque não via sentido em mostrar uma cena tão terrível. Mesmo assim, a dramáticidade do longa está toda nos ombros da atriz. O filme acaba não trazendo nada tão inovador, por seguir uma linha tradicional de biografias. E a forma da diretora de não tornar algo tão terrível um espetáculo, acabou tornando a trama um pouco repetitiva. Mesmo assim, "Till" é um filme pra temporada. Danielle é um nome pro Oscar. Só vamos ver como a Academia e as premiações americanas vão encarar um filme que fala tão abertamente sobre o horror e a violência do racismo dentro do Estados Unidos. Uma performance notável de Danielle Deadwyler ancora uma busca às vezes moralmente questionável: recontar uma história devastadora. Till é carregado com uma assombração diferente: o espectro da dor moldada em entretenimento, da arte feita a partir do trauma da anti-negritude americana. O filme, escrito por Chukwu, Michael Reilly e Keith Beauchamp, foi perseguido desde o início por uma premissa questionável. Para quem estamos conjurando a dor inimaginável dos fantasmas do passado? Danielle Deadwyler está arrasando como uma mãe cujo luto ajudou a galvanizar o movimento dos direitos civis (...) Este é inequivocamente o filme de Deadwyler, e ela dá o que certamente será uma performance de carreira. Seu equilíbrio de fragilidade e uma força que se torna ainda mais firmemente protetora depois que seu filho é tirado dela, dá ao drama um coração ferido e pulsante que prevalece mesmo quando a escrita desliza em batidas previsíveis. Sua caracterização comunica um medo particular que será familiar a tantas mães negras sempre que seus filhos estiverem longe delas, bem como o sofrimento inimaginável quando o pior desses medos se tornar realidade. Assistindo Till, nos perguntamos se essas imagens precisavam ser recriadas. É muito fácil ver as engrenagens do filme girando enquanto Mobley-Till (Danielle Deadwyler) fica sobre o corpo de seu filho no necrotério. Por mais que Chukwu encene a cena com muito tato, ainda é algo encenado, um ato de imaginação destinado a uma recompensa dramática. Chukwu tem dificuldade em conciliar seu senso de discrição com o mandato talvez inato de seu filme de demonstrar, de reencenar. Uma das muitas coisas que o movimento dos direitos civis exigia ver promulgada era uma lei federal antilinchamento. Em 2022, tal lei foi finalmente aprovada após décadas de tentativas fracassadas. Foi nomeado após Emmett Till. O fato de ter demorado tanto e a ideia de que as leis estão sendo aprovadas para garantir as razões pelas quais não são ensinadas na escola, apenas destacam por que “Till” parece tão oportuno. Os assassinos de Till confessaram à Look Magazine por US $ 4.000 depois de serem absolvidos. Isso deve ser suficiente para justificar a existência deste filme. Se nada mais, veja o incrível desempenho de Danielle Deadwyler. Ela realmente é inesquecível. Chukwu emprega algumas técnicas fascinantes – aquelas que saem direto do gênero de terror. Close-ups dramáticos, uma trilha sonora assustadora e o ar sinistro de pavor reinam durante a primeira metade do filme. O fator medo não deveria ser uma surpresa, porque ser negro na América, ser negro neste mundo, é viver em estado de terror. Till é um filme excepcional que investiga traumas internos e externos e é um esforço exaustivo de se assistir. Revisitar a vida da família Till é um lembrete de que quanto mais as coisas mudam, mais elas permanecem as mesmas.
AUTOR DO POST
Danilo Teixeira
Editor do Termômetro Oscar | CETI
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