|
⚠️ NÃO ESQUECE DO LER MAIS
Com algumas estreias já terem passado por Cannes com ótimas notas, agora a competição fica mais interessante. "The Shrouds" e "The Apprentice". Enquanto, fora de competição, temos a estreia do documentário "Lula", do diretor vencedor do Oscar, Oliver Stone.
"LULA"
Oliver Stone já venceu 3 Oscars, sendo que 2 deles foram por Melhor Direção. Mas, já faz alguns anos que ele deixou os filmes narrativos de lado, e direcionou sua carreira para causas políticas e documentários.
Ele chega em Cannes, fora de competição, com o documentário "Lula", um retrato íntimo de Luiz Inácio "Lula" da Silva, uma das figuras políticas mais influentes do mundo, narrando seu caminho extraordinário para recuperar a presidência do Brasil em 2022, após uma prisão de 19 meses. O filme é estruturalmente muito simples, como uma longa conversa entre Oliver Stone e Lula. E encontrar duas figuras tão relevantes conversando, é interessante de qualquer forma. Como filme, o documentário funciona muito bem, e mantém seu ritmo até o final. Mas, para quem é a favor do bolsonarismo, esse filme não funcionaria de qualquer forma. "Lula" foi aplaudido por quase 5 minutos, e foi bem recebido pelo público. Curiosamente, a maioria era de europeus, que também comemoram o filme. A temporada dos documentários é um pouco mais complexa, e mesmo a boa estreia em Cannes pode não significar nada. Mas, de qualquer forma, não deixa de ser um primeiro nome interessante para as rodas de conversa. Lula não é novidade em termos de forma. Empregando grande quantidade de imagens de arquivo, uma narração ininterrupta de Stone que nos explica tudo o tempo todo e uma longa entrevista conduzida com Lula durante sua campanha para a reeleição em 2022, o filme funciona como um exaustivo curso rápido e rápido sobre a política brasileira contemporânea. O documentário de Oliver Stone sobre o presidente brasileiro é esclarecedor e acessível! Embora muitas vezes falte profundidade, um documentário como “Lula”, de Oliver Stone, ainda tem valor. Isto não se deve apenas ao seu tema, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que passou de preso a ocupar o cargo mais alto do país, mas por causa de quem ele derrotou para fazê-lo. Stone percorre a vida de Lula em alta velocidade, finalmente nos jogando nas eleições extremamente acirradas de 2022. Para qualquer pessoa preocupada com os direitos humanos e o futuro do planeta, o militarista e antiambiental Bolsonaro era profundamente indesejável, então há muito o que comemorar. E esse é o espírito do filme de Stone. É uma celebração descomplicada e, se você assistir com base nisso, funciona perfeitamente. "THE SHROUDS"
Já virou rotina os filmes novos de David Cronenberg estrearem em Cannes.
Essa é a sétima estreia dele por aqui, que já venceu o Grande Prêmio do Júri em 1996 por "Crash - Estranhos Prazeres". Dessa vez ele se junta a Vincent Cassel e Diane Kruger para fazer "The Shrouds", que conta a história de um empresário que inventa um dispotivo que permite que as pessoas possam falar com os mortos. Cronenberg perdeu sua esposa em 2017, e por isso ele diz que esse é um dos seus filmes mais pessoais. Falando sobre luto e tristeza, sem perder a sua mão para o terror corporal, o filme teve boas críticas. O roteiro parece ser um dos maiores problemas, mas a direção, a trama e as atuações são bem boas, e se torna mais uma boa adição para a filmografia desse mestre do terror visual. Um thriller brilhantemente cerebral sobre a fisicalidade do luto! É um filme apresentado com absoluta convicção e seriedade, mas com menos humor rebelde do que Cronenberg costuma nos dar. É intrigante, mas exaustivo. Cronenberg está triplicando o terror corporal. Ele tem 81 anos agora e esta pode ser sua maneira de dizer que não será gentil. Ele quer acelerar as coisas com um estrondo. Eu gostaria de poder dizer que o resultado foi poderoso, mas o estranho enigma dos filmes recentes de Cronenberg é que quanto mais obcecado ele fica com o corpo, mais ele parece querer nos confudir. “The Shrouds” quase poderia ser uma paródia de Cronenberg. O mestre do terror corporal David Cronenberg perde o enredo em um emaranhado de teorias da conspiração. "THE APPRENTICE"
Essa é a terceira estreia de Ali Abbasi em Cannes. A primeira foi com "Border" em 2018, que venceu o Un Certain Regard. Depois foi com "Holy Spider" em 2022 que venceu o prêmio de Melhor Atriz com Zar Amir Ebrahimi.
Agora, ele estreia com "The Apprentice", que conta a história de um jovem Donald Trump, no anos 70 e 80, começando o seu império imobiliário em Nova York. O longa foca especialmente na relação entre Trump e Roy Cohn, o advogado que o apadrinhou. Para o papel de Trump, foi escalado Sebastian Stan. A esposa Ivana Trump é feita por Maria Bakalova, e o filme ainda conta com Jeremy Strong e Martin Donovan. Aliás, podemos começar falando do elenco, que foi muito elogiado! Maria Bakalova tem poucas cenas e brilha em todas elas, mas o filme é especialmente sobre Sebastian Stan e Jeremy Strong, que estão absolutamente num ótimo trabalho! São 3 nomes muito interessantes que podemos ficar de olho para a temporada, assim como a maquiagem que também foi muito elogiada. O desempenho de Sebastian Stan é uma maravilha. Ele entende a linguagem corporal pesada de Trump, o andar imponente com as mãos rigidamente ao lado do corpo, e da mesma forma ele entende a linguagem facial. Ele começa com um olhar aberto e infantil, sob o cabelo que podemos ver que Donald está obcecado, mas à medida que o filme avança esse olhar, em graus infinitesimais, torna-se cada vez mais calculado. Uma história de origem inteligente, nítida e surpreendente. Stan assume o papel e captura com precisão e credibilidade do começo ao fim. Cohn foi retratado em outros projetos, como Al Pacino fez em Angels In America, mas Strong é o elenco ideal, indo com tudo e entregando um retrato tridimensional desse homem complicado. Bakalova é excelente em suas poucas cenas. o trabalho perfeito de cabelo, maquiagem e próteses de Sean Samsom aqui, que nunca chama a atenção para si mesmo. Roy Cohn é um contraponto digno para o Trump deste filme, na medida em que o filme pode ter se beneficiado ao centrar seu foco no professor. Strong faz mais com suas pálpebras semicerradas do que a maioria dos atores conseguiria com o corpo inteiro; ele embala a indiferença diabólica em linhas de diálogo. Sebastian Stan e Jeremy Strong são excelentes no relato arrepiante da aliança profana que deu origem a Donald Trump!
AUTOR DO POST
Danilo Teixeira
Editor do Termômetro Oscar | CETI
SEÇÕES
0 Comentários
Deixe uma resposta. |
TOP 3
QUEM VAI LEVAR O OSCAR?
VOTAÇÃO POPULAR (GLOBAL)
VEJA O TOP COMPLETO NAS CATEGORIAS E VOTE NOS PERFIS
PRÓXIMA DATA DE PREMIAÇÃOVEJA TODAS AS DATAS NO CALENDÁRIO DAS PREMIAÇÕES
TOP 3
TOTAL DE APARIÇÕES POR FILMEPREVISÕES ATÉ O MOMENTO VEJA A LISTA COMPLETA NA HOME Categorias
Tudo
|



