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O nono dia de Cannes acabou sendo um dos mais fracos até agora:
"La Passion de Dodin Bouffant", é um romance gastrônomico protagonizado por Juliette Binoche; e "A Brighter Tomorrow" é dirigido por Nanni Moretti, e teve algumas das piores críticas do ano. "LA PASSION DE DODIN BOUFFANT"
Faz 23 anos desde que Anh Hung Tran estreou em Cannes com "As Luzes de Um Verão", na mostra Un Certain Regard. Agora, pela primeira vez, ele chega em competição.
"La Passion de Dodin Bouffant" é protagonizado por ninguém menos que Juliette Binoche. O filme fala sobre a relação entre Eugenie, uma conceituada cozinheira, e Dodin, para quem trabalha há 20 anos. Cada vez mais apaixonados um pelo outro, seu vínculo se transforma em um romance e dá origem a pratos deliciosos que impressionam até mesmo os chefs mais conceituados. Quando Dodin se depara com a relutância de Eugenie em se comprometer com ele, ele decide começar a cozinhar para ela. O longa teve críticas médias, sendo um filme basicamente sobre a produção de belos pratos, e não tendo muito mais conflito além disso. Talvez seja um filme direcionado para o público francês, para que eles possam ver a culinária do país sendo feita com tanto esmero, ou também para quem gosta desse tipo de filme onde a comida importa mais do que tudo. Mas, de qualquer forma, nem Juliette Binoche parece ter conseguido trazer algo a mais para o filme. Um filme que captura seus pratos de dar água na boca, combinando maravilhas culinárias com um conto comovente de amor de meia-idade. Binoche e Benoît Magimel funcionam muito bem este conto da Belle Époque de refeições significativas, mas alguns podem desejar uma pitada de sal. Aqui está um filme lindamente filmado do estimado cineasta Tran Anh Hung - mas é em um gênero sobre o qual sou agnóstico, a veia "foodie", na qual devemos desmaiar com todos os detalhes gastronômicos sem fim e pratos de dar água na boca, e em que a comida tende a ser apresentada de forma como metáfora da partilha, da família e da amizade. O saboroso romance de Tràn Anh Hùng não é tão satisfatório. uma história que, embora seja quase toda sobre recheios, enfeites e coberturas, não parece ter tanto conteúdo e, mais importante, profundidade. Estrelado por Juliette Binoche e Benoît Magimel como colegas de cozinha silenciosamente obcecados, este banquete sensorial não complica as coisas com enredo ou conflito. Cannes pode ser um festival internacional, mas ocasionalmente há filmes que simplesmente falam mais para sua base francesa do que para um público global. Na primeira exibição para a imprensa os telespectadores locais pareciam apreciar o sabor desse drama pornô de comida, enquanto o resto da casa ficava cada vez mais frustrado em sua lista aparentemente interminável de pratos. "A BRIGHTER TOMORROW"
Se você acompanhou Cannes nos últimos anos, com certeza já admirou e favoritou algum filme de Nanni Moretti. Vencedor da Palma de Ouro em 2001 por "O Quarto do Filho", Nanni ainda apresentou no festival grandes filmes como "O Crocodilo", "Habemus Papam" e "Minha Mãe".
Em "A Brighter Tomorrow" um autor (o próprio Moretti) um tanto maníaco, prepara um filme sobre um comandante comunista na Itália dos anos 1950, mas suas obsessões o impedem de terminar as filmagens. As críticas do filme foram realmente ruins, com algumas dizendo é um filme horrível, hipócrita e frustrante. As mais positivas dizem que se você for um fã de longa data do diretor, você vai gostar e entender as referências e o que ele quis dizer com as cenas. De qualquer forma, acho que é um outro filme com problemas. O novo filme de Nanni Moretti é terrivelmente horrível! Competindo em Cannes, a comédia-drama do diretor italiano sobre um cineasta fracassado é cheia de não-comédia e anti-drama – uma completa perda de tempo. Seu gosto por esse filme vai depender do quanto você acompanhou os trabalhos de Moretti. Usando seu nome de nascimento, Giovanni, ele revive sua persona pedante na tela - um diretor de cinema obsessivo retratado com partes iguais de narcisismo e auto-zombaria - que será uma explosão bem-vinda do passado para seus admiradores mais ardentes de longa data. Os menos dedicados fãs de Moretti podem achar a meta-comédia uma reforma cansada, gerando mais reviravoltas do que risadas. Um drama sincero, embora desajeito. O resultado no final é frustrante. Embora esse tipo de comédia-melodrama não seja para todos, sua última participação na competição de Cannes defende o que ele acha que os filmes podem e devem ser. Nanni Moretti está encharcada de nostalgia hipócrita. A Brighter Tomorrow pode estar impregnado de nostalgia, mas é uma nostalgia com um sotaque reacionário. Seu título, em retrospecto, parece estranhamente irônico. Este é um discurso de um diretor que não quer olhar para o futuro com mais do que apenas desprezo, onde o “amanhã” é realmente apenas uma fantasia rosada de um passado distante.
AUTOR DO POST
Danilo Teixeira
Editor do Termômetro Oscar | CETI
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