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O quarto dia de festival é o único onde temos três filmes em competição:
"About Dry Grasses", é dirigido pelo premiado Nuri Bilge Ceylan, já vencedor da Palma de Ouro em 2014, e que deixa a disputa desse ano ainda mais acirrada; "The Zone of Interest", de Jonathan Glazer, é o melhor filme de Cannes até o momento, e se torna uma aposta para o Oscar 2024; e "Four Daughters" é o segundo documentário em competição, com uma proposta muito interessante! "ABOUT DRY GRASSES"
Nuri Bilge Ceylan é um celebrado diretor turco, vencedor da Palma de Ouro em 2014 com "Sono de Inverno", premiado em como Melhor Direção em Cannes em em 2008 por "3 Macacos", e vencedor do Grande Prêmio do Júri em 2011 com "Era Uma Vez na Anatolia" e em 2003 com "Distante".
Ou seja, o diretor chega em Cannes como um nome muito forte para levar algum prêmio para casa. "About Dry Grasses" fala sobre um jovem professor que espera ser nomeado para trabalhar em Istambul após o dever obrigatório em uma pequena aldeia. Depois de muito tempo esperando, ele perde toda a esperança de escapar dessa vida sombria. No entanto, seu colega Nuray o ajuda a recuperar a perspectiva. Por mais que seja um filme de quase 3 horas, a crítica gostou muito do trabalho do diretor, considerando esse um dos seus melhores filmes. E olha, observando toda a sua premiada filmografia, isso é algo grande! Mas, assim como também fica claro nas críticas, não é um filme que deve ter grandes públicos, sendo resolvido com muitos diálogos e grandes planos de câmera parada. Assim como diz a Deadline, é um prato cheio para os fãs do diretor. Nuri Bilge Ceylan exige muito do público, e o resultado não é tão simples ou gratificante quanto os seus trabalhos anteriores como Era uma vez na Anatólia ou Sono de Inverno. About Dry Grasses é uma obra arrebatadoramente cinematográfica que parece projetada para desencadear debates. O destino do filme dependerá de o público achar isso exasperante, intrigante ou mesmo brilhantemente pós-moderno. Com 197 minutos, o filme pode ser longo demais para os padrões de muitos espectadores, mas não é de forma alguma insuficiente: por capítulos, um drama de sala de aula, uma lição de ética provocativa, um triângulo amoroso amargamente conflituoso e uma anatomia impiedosa de um misantropo cotidiano, encontra os dons de Ceylan como dramaturgo em sua melhor forma desde 2011, com “Era uma vez na Anatólia”. Para os muitos fãs de Ceylan, esta é outra oportunidade de entrar em seu mundo, identificar suas astutas referências políticas e mergulhar por um tempo dentro da sua cabeça e de sua vida. Não é um passeio fácil e certamente não muito rápido, mas é gratificante. Nuri Bilge Ceylan oferece uma obra-prima sobre as complexidades contemporâneas da Turquia. A peça de clima invernal de Ceylan é um estudo impressionante do personagem de um homem apático em um país esperançoso e cansado! O roteiro é distintamente opaco, apesar dos enormes pedaços de diálogo filosófico e debate que oferece. O filme é editado em um estilo aparentemente irregular, com cortes repentinos e abruptos, e elipses chocantes. O mais recente de Nuri Bilge Ceylan é uma palestra turca com alguns destaques emocionantes. "THE ZONE OF INTEREST"
Um dos filmes mais aguardados da competição de Cannes acaba de chegar.
"The Zone of Interest" é dirigido por Jonathan Glazer, muito premiado e comentado em 2016 por ter feito o longa "Sob a Pele". Seu novo filme se passa durante a Segunda Guerra Mundial e fala sobre o comandante de Auschwitz, Rudolf Höss, e sua esposa Hedwig, que se esforçam para construir uma vida de sonho para sua família em uma casa e jardim ao lado do campo de concentração. O filme é lançado pela A24, que têm se tornado cada vez mais forte nas temporadas de prêmios, o que só deixa essa estreia mais interessante ainda. Antes de Cannes, esse filme já aparecia em algumas listas como um nome forte para as premiações. E agora, ele com certeza vai sair de Cannes com mais força ainda! O longa foi considerado uma nova obra-prima sobre o holocausto, com uma visão original, única e devastadora! Comparado a grandes filmes vencedores do Oscar como "A Lista de Schindler" e "O Filho de Saul", esse é o melhor filme de Cannes até agora, e se torna um nome para o Oscar 2024! Criar obras de ficção sobre o holocausto pode ser a tarefa mais desafiadora no cinema – o Graal Profano da forma de arte, por assim dizer – e muitos cineastas entraram no campo armados de sentimento em vez de seriedade intelectual. Uma das poucas exceções notáveis é The Zone of Interest, de Jonathan Glazer. O diretor tem reputação de estilista, mas, embora seu novo filme seja certamente estilizado, seu retrato da domesticidade nazista à sombra das chaminés de Auschwitz é executado com um controle frio e objetivo que evita a falsa retórica, deixando o máximo de espaço para a imaginação e a resposta emocional do público. O filme audacioso de Jonathan Glazer é um drama do holocausto de arrepiar como nenhum outro! A pior coisa que você poderia dizer sobre o diretor é que, para um talento tão singular, ele faz poucos filmes. Ou talvez seja por isso que seus filmes são tão únicos. O olhar impressionante de Jonathan Glazer sobre o holocausto de uma maneira que nunca foi vista! Os filmes de holocausto são praticamente um gênero próprio, mas posso dizer com segurança que nunca vi um, sem nenhum visual de violência e sofrimento, que ainda consiga ser tão angustiante e assustador. Este filme ocupa seu lugar entre os grandes filmes feitos sobre o holocausto e provavelmente irá assombrá-lo muito depois de vê-lo. Devastador e necessário, o novo drama do diretor de Sob a Pele mostra como o mal pode florescer nas circunstâncias mais mundanas. O retrato dramático profundamente arrepiante de Jonathan Glazer de uma família nazista vivendo ao lado de Auschwitz. O diretor cria uma visão visionária da vida enraizada no mal da negação. Dos milhares de longas-metragens dramáticos que tratam do tema do holocausto, poucos evocaram – ou sequer tentaram – a experiência do que aconteceu dentro dos campos de concentração. Isso é compreensível; o horror dessa experiência é proibitivo e, de certa forma, inimaginável. Mas há um pequeno grupo de filmes, como “A Lista de Schindler” e “O Filho de Saul”, que enfrentaram esse horror de frente e de maneira indelével. A essa lista, agora podemos adicionar "The Zone of Interest" de Jonathan Glazer. Se alguém lhe disser que o mundo não precisa de mais filmes sobre o holocausto ou as atrocidades perpetradas pelos nazistas em 2023, sugerimos que você os corrija educadamente. Apesar de mais de oitenta anos de cinema sobre o tema, continuam a existir novas histórias à espera de serem contadas (e algumas recontadas). Além disso, como demonstrado no novo trabalho impressionante de Jonathan Glazer, “The Zone of Interest”, também existem novas maneiras de contá-los. E, muitas vezes, a visão de um cineasta pode abrir nossos olhos para a realidade dos horrores que pensávamos entender com uma nova perspectiva surpreendente. Pode haver algum desconforto em apreciar a perspicácia técnica do filme quando ele faz alusões tão terríveis. Mas a proeza de Glazer é impossível de negar. Zone of Interest é uma maravilha prodigiosamente montada, envolvente, terrível e terrivelmente necessária para o seu tempo. "FOUR DAUGHTERS"
A diretora Kaouther Ben Hania surpreendeu o cinema com sua indicação ao Oscar de Melhor Filme Internacional em 2021 por "O Homem que Vendeu Sua Pele", que acabou sendo a primeira aparição da Tunísia na história do Oscar.
Agora ela chega em Cannes com "Four Daughters", que fala sobre Olfa, uma mulher tunisiana mãe de quatro filhas. Um dia, suas duas filhas mais velhas desaparecem. O documentário desvenda as histórias de vida de Olfa e de suas filhas, mergulhando em uma jornada íntima de esperança, rebelião, violência e irmandade, que questionará os próprios valores de nossas sociedades. O longa não segue as amarras dos documentários, colocando atrizes para encenar alguns momentos chaves da vida dessas mulheres, enquanto elas mesmas estão assistindo e participando. Mesmo com boas críticas, é complicado saber o que esperar de um filme híbrido. Provavelmente ele deve ter boas passagens pelos festivais ao longo da temporada, principalmente se sair de Cannes com algum prêmio. Four Daughters é um dos dois documentários a ganhar uma vaga na competição de Cannes (Youth, de Wang Bing, é o outro). Já se passaram quase 20 anos desde que qualquer filme de não ficção conquistou o direito de concorrer à Palma de Ouro (só os filmes em competição podem ganhar o prêmio máximo do festival). Se Four Daughters sair com a Palma de Ouro, será um vencedor merecedor. Documentário híbrido potente, investigativo e ocasionalmente manipulador. Ben Hania citou Dogville como uma influência em seu último projeto, mas Four Daughters se destaca como um trabalho distinto, ousado e original que deve gerar debate no circuito de festivais e provavelmente será de interesse para distribuidores de arte. Ben Hania não consegue suprimir seus instintos estéticos em relação ao melodrama brilhante, o que pode nos levar a questionar a veracidade até mesmo dos segmentos mais abertamente documentais. A realizadora levou ainda mais longe a sua vontade de erradicar as fronteiras entre os géneros e ser o mais realista possível. Criando um cenário que orquestra totalmente o encontro entre o documentário e a ficção, ela convida atrizes para retratar mulheres ausentes (e para a reencenação dos episódios mais difíceis) e as mistura com as outras, verdadeiras protagonistas da história, tudo em uma encenação que revela abertamente o artifício mas que também, paradoxalmente, traz à tona ainda mais verdade. Uma exploração comovente da maternidade e do trauma herdado na Tunísia.
AUTOR DO POST
Danilo Teixeira
Editor do Termômetro Oscar | CETI
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