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O terceiro dia de festival abriu as portas com alguns nomes famosos:
"Youth (Spring)", é dirigido pelo premiado Wang Bing, e faz a estreia de um documentário em competição em Cannes, algo que não acontecia em 20 anos; e "Black Flies", traz Sean Penn e Tye Sheridan sendo paramédicos numa tumultuada Nova York. "YOUTH (SPRING)"
O diretor chinês Wang Bing já teve outras duas passagens por Cannes e, ainda em seu currículo, dois filmes premiados em Veneza!
Curiosamente, o filme abre uma excessão que Cannes não deixou nos últimos 20 anos: um documentário em competição pela Palma de Ouro. "Youth" foi filmado durante um período de cinco anos na cidade chinesa de Zhili, conhecida como capital da confecção de roupas do país. Todos os anos, jovens das áreas rurais de Anhui e de outras províncias chegam ao centro urbano em busca de trabalho. Milhares de “oficinas” de vestuário de propriedade privada estão prontas para empregá-los, ou talvez devêssemos dizer, explorá-los. Wang é famoso por fazer filmes longos, e esse aqui tem 3 horas e meia, o que provavelmente pode ser um problema para ele alcançar públicos maiores. Mas mesmo assim as críticas foram realmente boas. É muito interessante termos um forte documentário competindo pela Palma de Ouro, e vai legal analisarmos como isso vai se desenrolar. Um documentário excepcional! Uma história de parar o coração na capital da exploração clandestina da China. Mas a primeira coisa que impressiona sobre os trabalhadores é sua energia, entusiasmo, humor e esperança. Sua “juventude”, como no título do filme, não é irônica: eles não são, como eu suspeitava que poderiam ser, prematuramente envelhecidos pelo trabalho. A obra imersiva de 3,5 horas de Wang Bing anuncia um retorno bem-vindo do gênero documentário à corrida da Palma de Ouro em Cannes! A primeira coisa que alguém diz sobre o trabalho do venerado documentarista Wang Bing é que ele faz filmes fascinantes, mas longos. Tipo, realmente longo. Mas é estranho, pois não há polêmica aqui sobre equidade ou injustiça. Wang está mais interessado nas próprias pessoas em todas as suas roupas multicoloridas, incompatíveis e imitações de designers. Cabe a nós, espectadores, tirar conclusões mais profundas. O filme inabalável dos trabalhadores de vestuário de Wang Bing se desenrola ao longo de seu longo tempo de execução. O ritmo de vida repetitivo e monótono dos jovens funcionários sazonais das oficinas de fabricação de roupas da China é a pungência deste extenso documentário, mas também seu problema. "BLACK FLIES"
O francês Jean-Stéphane Sauvaire faz a sua segunda estreia em Cannes ao lado de duas estrelas: Sean Penn e Tye Sheridan.
Em "Black Flies" acompanhamos Ollie Cross (Tye Sheridan), um jovem paramédico de Nova York que acaba de iniciar seu primeiro ano de trabalho. Ao escolher o parceiro, que ficará ao seu lado enquanto ele dirige a ambulância, Ollie decide se juntar ao paramédico experiente Gene Rutkovsky (Sean Penn). Pouco a pouco, ele vai aprendendo sobre a dura realidade da profissão, que o faz questionar todas as suas crenças sobre a vida e a morte. Sauvaire faz um filme sem omitir detalhes, com cenas pesadas e viscerais. O que chegou a fazer parte do público questionar se não deveria ter sido um filme para as sessões da meia-noite, onde geralmente passam longas mais violentos ou de terror. As atuações foram muito elogiadas, mas a falta de ritmo com a violência constante podem ter deixado o filme cansativo. De qualquer forma, é um trabalho que deve chamar bastante atenção do público pela temática e pelo elenco de peso. O novato Tye Sheridan é conduzido através de um mundo de severidade médica por um Penn grisalho em um conto cheio de clichês sem vida. Uma ode desajeitada, mas visceral, de Jean-Stéphane Sauvaire aos socorristas da cidade de Nova York. Os paramédicos podem dar as boas-vindas a um filme que lança uma luz dura nos recessos mais sombrios de seu trabalho - um filme que não tem medo de explorar o preço que custa, a ninharia que paga ou a ingratidão que oferece a eles - mas essa maratona desajeitada de misérias sem enredo é tão cansativa e monótona que parece determinada a nos entorpecer mais do que o trabalho em si jamais poderia. Corajoso e sombrio! Uma crônica implacável de paramédicos da cidade de Nova York que funciona como um filme de guerra urbana completo. Uma pena que no final, Black Flies deixa o espectador espancado, machucado e sangrando na calçada, mas nunca totalmente cativado. Black Flies, apesar do ótimo elenco e do bom trabalho de câmera de David Ungaro, não oferece nada de novo, apenas uma reafirmação de que não chegamos tão longe nos últimos anos. A ideia por trás do Black Flies é admirável. Serve para nos lembrar de como a América pode ser ferrada, especialmente com um grande partido político tentando retroceder em seu sistema de saúde. Mas, apesar das óbvias habilidades cinematográficas corajosas de seu elogiado diretor francês, algo se perdeu, e impede que o filme realmente funcione. Incrivelmente sombrio, o olhar de Jean-Stéphane Sauvaire sobre a vida de um socorrista novato é um passeio atraente.
AUTOR DO POST
Danilo Teixeira
Editor do Termômetro Oscar | CETI
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