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Pobreza, desemprego, intolerância política, desigualdade econômica e social, greves, nacionalismo e automação. Estas podem ser as características do mundo atual, afinal todos os dias quando abrimos os jornais ou as telas de nossos computadores, estes são os principais assuntos das manchetes. Entretanto estamos falando de exatos 80 anos atrás, 1936. O período entre guerras manteve a obscuridão advinda dos conflitos entre os países e o boom econômico, que a principio trouxe inovações e crescimento para então culminar na Grande Depressão. Em meio a este momento, Charles Chaplin levava plateias aos risos com seu Carlitos, já um dos atores e cineastas mais respeitados da época. Carlitos estava de volta em “Tempos Modernos”.
O cineasta estava em seu ápice, um exímio criador de comédias visuais. Mesmo tendo escrito um roteiro com diálogos para o filme, decidiu abandonar a ideia inicial, pois considerava que Carlitos dependia da pantomima do cinema mudo. Contudo sua voz é pela primeira vez ouvida em uma cena em que o personagem trabalha como garçom cantante e faz uma memorável performance cantando em um italiano bem fajuto. Interessante é que oficialmente “Tempos Modernos” é considerado o último filme mudo produzido pelo cinema americano até “O Artista” em 2011. Chaplin não só fazia história ao retratar a história, como fazia história na sétima arte. Utilizando-se de um humor ácido e irônico, ele articula muito bem as cenas de modo a criar metáforas e simbolismos em constante diálogo com o mundo fora das salas de exibição. Concebido em quatro “atos”, cada um foi equivalente a uma de suas antigas produções cômicas de dois rolos, ou seja, seus trabalhos de curta-metragem. Tudo no filme é poético, todo o envolvimento das cenas, dos roteiros, da montagem e da direção. Todas as sacadas representativas colaboram intimamente em na mensagem a ser transmitida. É como que se nada do que fora exposto, encenado ou cenograficamente colocado seja em vão, tudo serve a um propósito: representar o novo mundo, a nova configuração de vida. É muito provável que você já tenha assistido ao filme em algum momento de sua formação escolar, seja nas aulas de história, geografia ou sociologia. “Tempos Modernos” está lá para contextualizar um momento histórico, para mostrar a capacidade humana de inovar e se sabotar com suas inovações. O moderno não apagou as mazelas da sociedade, somente as transformou, deu novos motivos. Em meio as correntes crises e distorções de valores, Charles Chaplin e “Tempos Modernos” continuam atuais, sem nenhum vislumbre em deixar de ser. Incrivelmente esnobado no Oscar de 1937, vencido por "Ziegfeld – O Criador de Estrelas", o longa é diversão e reflexão para o fim de semana.
Juliana Leão - Equipe CETI!
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