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Nessa semana falamos sobre Céline Sciamma e sua decisão de reeditar seus filmes por reclamações de apropriação cultural. Quem teve polêmicas também foi Wim Wenders.
Wim Wenders, cineasta vencedor da Palma de Ouro e indicado ao Oscar, decidiu proibir a exibição de seu filme de 1975, "Movimento em Falso", após muitos protestos da atriz Nastassja Kinski. Kinski, que atuou no filme ainda adolescente, foi filmada de topless aos 13 anos. Ela revelou recentemente, em entrevista ao jornal Süddeutsche Zeitung, que pediu por muitos anos a Wenders que alterasse ou reconsiderasse a disponibilidade do filme. Ela disse que a experiência marcou sua estreia como atriz e seu primeiro relacionamento profissional com um diretor — um diretor que, segundo ela, não a "protegeu" adequadamente na época. Em resposta, Wenders reconheceu publicamente que Kinski “deveria ter sido melhor protegido na época” e pediu desculpas. Agora, ele foi além, anunciando que “Movimento em Falso” seria retirado de todas as formas de distribuição atuais, incluindo plataformas de streaming, transmissões televisivas e quaisquer outros contratos de licenciamento. O representante legal de Kinski descreveu a medida como “há muito esperada”, embora também tenha sugerido que ela só ocorreu após a atenção pública contínua, e não por iniciativa própria. Em uma declaração pública, Wenders enfatizou que conversas recentes o ajudaram a “aprimorar sua compreensão” da situação, acrescentando que o diálogo aberto é necessário ao revisitar obras controversas de épocas anteriores. Ele também sugeriu que a indústria ainda carece de padrões claros sobre como lidar com filmes que incluem material hoje amplamente considerado inadequado ou exploratório. Agora, com "Movimento em Falso" efetivamente retirado de circulação, aguardando novas decisões, uma questão maior paira sobre a situação: será esta a maneira correta de lidar com filmes polêmicos do passado? Retirando-os completamente? Ou deveriam permanecer acessíveis de alguma forma? Ou apenas reeditados? Para alguns, remover o filme pode ser a decisão, enquanto outros podem vê-la como o apagamento de uma parte problemática, porém importante, da história do cinema. A questão não se resume à decisão de um cineasta, mas sim à nossa responsabilidade atual de preservar a arte que reflete uma era muito diferente — e muitas vezes desconfortável — do cinema.
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