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Hoje é sexta-feira!
Dia de mais um querido Termômetro de Sexta do Oscar 2025! Esse é aquele momento onde falamos sobre alguma categoria, possibilidade ou candidato para o Oscar. É um momento de análise, onde falamos sobre o que pode acontecer na temporada que está por vir. E hoje vamos falar da França! A corrida rumo ao Oscar 2025 de Melhor Filme Internacional já começou, atualmente estamos com 7 países já inscritos, e um burburinho acompanha alguns favoritos. E é por isso que vamos falar da França. O país acabou de vir de uma temporada onde "Anatomia de Uma Queda" venceu a Palma de Ouro e corria como favorito em Melhor Filme Internacional. Mas, por questões políticas, o escolhido foi "O Sabor da Vida", que nem foi indicado ao Oscar. No fim, "Anatomia de Uma Queda" foi indicado ainda a Melhor Filme, Direção, Atriz e venceu o prêmio de Roteiro Original. Mas ficou a sensação de que a França fez bobagem. E França parece estar entre dois títulos outra vez. Por um lado, o emocionante thriller de redenção de Jacques Audiard, "Emilia Perez", que ganhou dois grandes prêmios no Festival de Cinema de Cannes e recebeu ótimas críticas, é uma aposta certeira. Audiard é um reverenciado autor francês que ganhou uma Palma de Ouro com "Dheepan", foi anteriormente indicado ao Oscar de língua estrangeira com "O Profeta" e é bem conhecido internacionalmente. “Emilia Perez”, estrelado por Karla Sofía Gascón como um temível traficante que abraça seu verdadeiro eu como mulher, repercutiu em Cannes, onde recebeu uma das mais longas ovações deste ano. O filme em espanhol ganhou o Prêmio do Júri (em um júri presidido por Greta Gerwig), além do Prêmio de Melhor Atriz para o elenco, incluindo Gascón, Zoe Saldaña, Selena Gomez e Adriana Paz. Mas outro candidato, "O Conde de Monte Cristo", um filme de aventura épica de três horas adaptado do clássico de Alexandre Dumas, também está sendo discutido como uma entrada potencialmente forte para representar a França na corrida internacional. Os diretores, Matthieu Delaporte e Alexandre de la Patellière, não têm o prestígio de Audiard, mas são bem vistos na França, tendo escrito a saga de duas partes "Os Três Mosqueteiros". Por que "O Conde de Monte Cristo" teria uma chance de rivalizar e até mesmo vencer "Emilia Perez"? Existem algumas razões que podemos conversar agora: 1 - Primeiro, "Monte Cristo" é 'mais francês' do que "Emilia Perez", o que significa que não só foi filmado em francês com atores locais, mas também foi filmado em exuberantes marcos franceses e é baseado em uma joia da coroa da literatura francesa. 2 - Alguns dos 11 membros que fazem parte do comitê inevitavelmente sentirão que "O Conde de Monte Cristo" pode atrair eleitores mais velhos e nostálgicos do Oscar. 3 - Assim como "O Sabor da Vida", "O Conde de Monte Cristo" também recebeu críticas sólidas nos mercados dos EUA, com Peter Debruge, da Variety, até mesmo chamando-o de "triunfo genuíno" e "um conto de aventura impressionante e emocionalmente satisfatório". O filme, que foi exibido fora da competição em Cannes, também desencadeou uma longa ovação. 4 - Além da aclamação da crítica, “O Conde de Monte Cristo” também é impulsionado por um sucesso de público estrondoso que “Emilia Perez” ainda não tem. Este último foi lançado na França em 21 de agosto e teve um início sólido com 45353 ingressos vendidos (incluindo 8780 admissões de estreias antecipadas). Mas “O Conde de Monte Cristo” já se estabeleceu como um verdadeiro sucesso de bilheteria francês. Estreou em 26 de junho e já arrecadou quase US$ 60 milhões com mais de 7 milhões de ingressos localmente. 5 - As noções preconcebidas do comitê francês sobre o que os eleitores americanos escolherão muitas vezes orientaram as decisões, mesmo que essas preocupações nem sempre reflitam a realidade. No caso de "Emilia Perez", alguns membros franceses presumirão que não é uma escolha segura. Eles podem temer que uma campanha do Oscar possa ser atormentada por controvérsias, como Audiard contando uma história que ele não vivenciou em primeira mão, já que não é trans e cresceu na França, longe de um cartel mexicano. Mas até agora, a única reação negativa que Audiard enfrentou sobre "Emilia Perez" veio de políticos franceses transfóbicos, como Marion Marechal-Le Pen, cujos comentários insultuosos nas redes sociais levaram Gascón a abrir um processo em Paris. 6 - Uma semelhança entre “Anatomia de uma Queda” e “Emilia Perez” que poderia — ironicamente — jogar contra sua seleção pelo comitê francês é o fato de que a Netflix posicionará o filme de Audiard nas principais categorias, como Neon fez com “Anatomia de uma Queda”. Os eleitores franceses pensarão que já que “Emilia Perez” competirá por grandes prêmios, incluindo atriz, roteiro original, diretor e filme, o comitê deve dar a “Monte Cristo” uma chance de se destacar na corrida internacional. A Netflix, que comprou “Emilia Perez” para os EUA e Reino Unido em Cannes e está supostamente pronta para gastar muito dinheiro na campanha, terá que convencer os membros do comitê francês, que também ouvirão os argumentos da Goldwyn Films para “O Conde de Monte Cristo”. A reviravolta deste ano ainda é que a Pathé está envolvida em “Emilia Perez” e “O Conde de Monte Cristo”. O venerável estúdio francês pode enfrentar um conflito de lealdade ao escolher um lado, embora esteja muito mais envolvido em “Monte Cristo”, que financiou, coproduziu, vendeu internacionalmente e distribuiu na França. Os debates serão realizados em duas rodadas no National Film Board em 11 e 18 de setembro.
AUTOR DO POST
Danilo Teixeira
Editor do Termômetro Oscar | CETI
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