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Vamos começar contextualizando.
Ontem a França escolheu o seu representante para o Oscar 2024 de Melhor Filme Internacional. E ao contrário do que era esperado, o selecionado não foi "Anatomia de Uma Queda", da Justine Triet. Mas sim "The Taste of Things" de Tran Anh Hung. A escolha de "Anatomia de Uma Queda" fazia mais sentido pelo filme ter vencido a Palma de Ouro em Cannes - fazendo de Justine apenas a terceira mulher a vencer o prêmio em toda a história! Claro que o filme é esperado em outras categorias do Oscar, mas escolher o filme como representante do país poderia colocar "Anatomia de Uma Queda" no mesmo patamar de outros grandes vencedores recentes, como "Drive My Car", "Druk" e "Nada de Novo no Front". Tentando entender a intenção da escolha, encontramos duas respostas dentro da imprensa francesa. A primeira, é a escolha estratégica. É interessante pensar assim. A França entendeu que "Anatomia de Uma Queda" tem bastante chance de aparecer em outras categorias, e por isso quis dar espaço para outro filme que talvez tenha força para o Oscar. Lembrando que "The Taste of Things" venceu o prêmio de Direção em Cannes, além de contar com a Juliette Binoche, e ter tido boas críticas. Então realmente pode acontecer. A segunda resposta ainda dá pesadelo para os brasileiros. Ao vencer a Palma de Ouro, Justine Triet, a diretora de "Anatomia de Uma Queda", aproveitou o momento do discurso para atacar as políticas culturais de Macron. Ela disse que “a comercialização da cultura que este governo neoliberal apoia está em processo de quebrar a excepção cultural da França”. Ela acrescentou que sem esse legado cultural “não estaria aqui hoje”. O discurso de Triet também criticou o presidente francês Emmanuel Macron, que sancionou um controverso projeto de lei que aumenta a idade de aposentadoria na França de 62 para 64 anos – apesar dos protestos generalizados. Triet disse que o seu país “sofreu protestos históricos sobre a reforma do sistema de pensões”, mas que “estes protestos foram negados… Reprimidos de uma forma chocante”. O Festival de Cannes terminou com um burburinho polêmico. E a ministra da cultura francesa, rapidamente foi a público responder que Justine estava sendo ingrata e injusta. A CNC (Centre National du Cinéma) é a responsável pela escolha do filme para o Oscar, e ela trabalha sob a tutela do Ministério da Cultura. Até o momento a CNC não se pronunciou a respeito da escolha. Agora vamos relembrar o Oscar 2017. Kleber Mendonça Filho estreou em Cannes com "Aquarius", com críticas muito boas e sendo a escolha óbvia para o Brasil naquele Oscar. Kleber Mendonça Filho se posicionou no tapete vermelho contra o golpe que a Presidente Dilma tinha sofrido. E o governo golpista escolheu depois "Pequeno Segredo" para representar o país. No mesmo ano, aliás, a mesma coisa aconteceu com "A Criada", de Park Chan-wook, que também não foi selecionado por questões políticas. E muitos ainda defendem que é o melhor filme do diretor até hoje. Bom, a produtora francesa de "Anatomia de Uma Queda" disse pelo Instagram que a escolha foi idiota. E ontem mesmo, diversas discussões já começaram na internet, com o público francês dizendo que só pode ser brincadeira e alegando também ser uma escolha política. A corrida rumo ao Oscar 2024 continua. A escolha da França foi feita, e agora a imprensa já começa a apostar que "The Zone of Interest", do Reino Unido, é mais favorito do nunca como Melhor Filme Internacional.
AUTOR DO POST
Danilo Teixeira
Editor do Termômetro Oscar | CETI
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