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Em um especial da Variety, grandes diretores do cinema mundial falaram sobre alguns dos melhores filmes de 2025! Nos próximos dias vamos passar por todos esses diretores, tendo esse novo olhar técnico dos filmes da temporada.
E para fechar o segundo dia de especial, Allison Anders fala sobre "Sirât", de Oliver Laxe! "Raramente entramos num filme sem saber nada. Chegamos com expectativas — enredo, tom, elenco, uma ideia do que achamos que nos espera. Cheguei a “Sirât” com apenas a frase: “Um homem procura sua filha desaparecida numa rave no deserto”. Como mãe, eu entendia a angústia. E desde menina, acredito na estranha alquimia entre música e paisagens áridas. Era tudo o que eu levava comigo para “Sirât”. Mas em poucos minutos, essas associações se dissiparam. Não era ópera rock nem desolação punk; eram caixas de som, um laptop, corpos e batidas pressionados contra um terreno traiçoeiro. Minha única âncora se tornou o pai, Luis (Sergi López numa atuação impressionante), e seu filho pequeno. E então — os rostos. Rostos que você seguiria para qualquer lugar. Eu precisava disso, porque o cineasta Oliver Laxe estava me despojando de tudo com que eu havia entrado: uma dissolução suave de expectativas, apegos, até mesmo identidade, em uma espécie de pureza. “Sirât” é um daqueles raros filmes que devolvem ao cinema sua vocação mais elevada, revelando o invisível e criando um espaço onde forma, espírito e humanidade convergem. Cada vez que eu me perguntava “Mas por quê…?”, Laxe dissipava o impulso da minha mente. O filme me tocou profundamente, e era impossível desviar o olhar. Eu confiava que ele tinha algo precioso a oferecer, mas primeiro precisava me desapegar — da análise, da frieza, da armadura. À medida que os personagens são despidos, o mesmo acontece com o espectador. A paisagem se expande: às vezes bela, às vezes crua, sempre viva. O deserto se torna um personagem, ditando o ritmo da história e das almas que a habitam. O ritmo de Laxe captura o que nós, no sul da Califórnia, chamamos de “tempo do deserto”. Não se pode impor o relógio da cidade a ele. O que mais me comove é a clareza espiritual do filme. Laxe não impõe significados; ele os revela. Ele confia na sua sabedoria mais profunda e, nessa confiança, você se sente guiado. “Sirât” me lembra que o cinema anseia por ser transcendental. Laxe entende isso. Ele traz isso à tona. E isso me renova". Allison Anders é roteirista e diretora, conhecida principalmente por dirigir episódios de séries como "Sex and the City", "Riverdale" e "Orange is the New Black". No cinema, ela é conhecida por dirigir "Grande Hotel", ao lado de Tarantino.
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