|
Se você acompanha a temporada com a gente, finalmente chegou a hora tão aguardada do Festival de Veneza!
Walter Salles chega com "Ainda Estou Aqui", ao lado de um grande elenco composto por Fernanda Torres, Fernanda Montenegro, Selton Mello, Maeve Jinkings, Marjorie Estiano e Humberto Carrão. O longa é adaptado do livro de Marcelo Rubens Paiva. Na história, uma mulher casada com um importante político precisa mudar sua vida completamente depois que ele é exilado durante a ditadura. A dona de casa se vê obrigada a virar ativista de direitos humanos após o desaparecimento de seu marido. O filme ainda marca a reunião de Walters Salles e Fernanda Montenegro, que fizeram juntos o querido e indicado ao Oscar, "Central do Brasil". E a estreia foi muito boa, com direito a 10 minutos e 20 segundos de aplausos, de acordo com a contagem do Deadline. A atuação de Fernanda Torres foi elogiada, inclusive lembrada como uma das melhores atrizes da américa latina. O filme é politicamente forte e relevante, mostrando o horror da ditadura militar pelo ponto de vista de uma família que além de tudo tenta viver com amor. As críticas dizem que é uma carta de amor ao Brasil, uma história poderosa sobre memória, e também um aviso sobre o perigo de esquecer os horrores do passado e apoiar políticos que se movimentam a favor da ditadura e da violência. Por enquanto, é a grande aposta para o Brasil no Oscar 2025, e pode trazer a indicação que não vem desde 1999, com "Central do Brasil". Retrato profundamente comovente de memória sensorial de Walter Salles de uma família — e uma nação — rompida. A história comovente do desaparecimento de Rubens Paiva em 1970 nas mãos da ditadura militar brasileira é recontada, com beleza e dignidade, pelos olhos da esposa e dos filhos que a viveram. Carta de amor de Walter Salles ao Brasil é um poderoso aviso da história! Salles tem um propósito aqui. Ele claramente não está simplesmente registrando o que aconteceu; este é um filme de advocacia política, alertando contra o esquecimento do que a tirania fez ao país e as manchas que deixou para trás. Walter Salles retorna para casa com uma poderosa história da resistência! É um filme envolvente e profundamente tocante. É um dos melhores de Salles. A performance de Fernanda Torres como Eunice é tão espetacular quanto sua filmografia sugere, tendo se destacado como uma das maiores atrizes do continente sul-americano em papéis em “Terra Estrangeira” (também dirigido por Salles) e ganhado uma Palma de Ouro de Melhor Atriz em “Eu Sei que Vou Te Amar”. Talvez o diretor Walter Salles exagere um pouco na alegria da família, enfatizando o sol para que sintamos mais intensamente a chuva fria quando ela cai. O cineasta brasileiro conheceu os Paivas quando criança e, portanto, seu relato baseado em fatos sobre sua situação é compreensivelmente comprometido e propenso a uma veia de sentimentalismo. No entanto, o filme continua sendo um drama sombrio e sincero sobre os desaparecidos da nação. Incrivelmente, é o primeiro longa dramático de Salles desde Na Estrada, de 2012. O filme imperfeito e manco de Salles nos diz que a esperança é eterna, que a alegria é certa e que a maioria das famílias felizes encontrará uma maneira de sobreviver. Walter Salles apresenta a injustiça brasileira como um drama histórico sem graça. A chegada tardia das apostas do filme fala de um elemento mais frustrante da produção cinematográfica de Salles: sua falta de urgência. Quando Salles adquiriu os direitos para adaptar o material de origem, o livro de Marcelo Rubens Paiva documentando o desaparecimento e assassinato de seu pai pelo estado, o brasileiro Jair Bolsonaro ainda estava no poder, ameaçando mobilizar os militares de uma forma antidemocrática que evocou os dias mais repressivos do país. No entanto, dado o ritmo sem pressa e a subestimação geral da gravidade da situação, o filme parece visitar uma exposição de museu em vez de viver um ponto crítico da história. Aqui, os horrores do passado são apenas imagens aninhadas com segurança atrás do vidro. E o filme nunca desperta a fúria frenética gerada pelo cinema de outros países sul-americanos que também lidaram com ditaduras de meados do século.
AUTOR DO POST
Danilo Teixeira
Editor do Termômetro Oscar | CETI
SEÇÕES
0 Comentários
Deixe uma resposta. |
TOP 3
QUEM VAI LEVAR O OSCAR?
VOTAÇÃO POPULAR (GLOBAL)
VEJA O TOP COMPLETO NAS CATEGORIAS E VOTE NOS PERFIS
PRÓXIMA DATA DE PREMIAÇÃOVEJA TODAS AS DATAS NO CALENDÁRIO DAS PREMIAÇÕES
TOP 3
TOTAL DE APARIÇÕES POR FILMEPREVISÕES ATÉ O MOMENTO VEJA A LISTA COMPLETA NA HOME Categorias
Tudo
|
