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Seguindo os dias com grandes estreias, agora Veneza recebe Pedro Almodóvar, o gênio espanhol que faz sua estreia em um longa metragem falado em inglês, com "The Room Next Door".
O filme, em forma, é bem simples. É sobre duas mulheres, ambas na casa dos 60 anos, que são amigas há muito tempo, mas não se veem há anos: Ingrid (Julianne Moore), uma autora do mundo da arte que mora na cidade de Nova York, e Martha (Tilda Swinton), uma ex-correspondente de guerra itinerante do New York Times com quem Ingrid se reconecta quando descobre que Martha está no hospital lutando contra um câncer. Sua doença é séria: é câncer cervical em estágio três, e ela está passando por um tratamento de imunoterapia altamente experimental, que é a única chance que ela tem. A dupla de atrizes entrega um espetáculo em tela, mostrando que são sim duas das maiores atrizes da atualidade! O filme tem um tom mais sério dentre os trabalhos de Almodóvar, sendo reflexivo e frágil, falando sobre amizade e morte. Mas, o problema do filme, de acordo com parte da crítica, é o roteiro. Os diálogos para ser mais direto. Almodóvar teria escrito o roteiro em espanhol, e depois traduzido para o inglês. E foi nessa tradução que parte do ritmo das falas e da autenticidade do diretor se perderam. Alguns críticos disseram que os diálogos soam artíficiais, ao ponto de incomodar. Coisa que nunca aconteceu nos roteiros de Almodóvar em espanhol. Mesmo assim, o filme estreia com ótimas notas, e com expectativa de temporada de prêmios para Tilda e Julianne. Inclusive, as duas não voltaram ao Oscar desde suas vitórias, Julianne em 2015 com "Para Sempre Alice" e Tilda em 2008 com "Conduta de Risco". A fragilidade do filme é o que o torna tão lindo. Almodóvar conta uma história realmente bonita sobre a vida e a morte. Tilda Swinton e Julianne Moore salvam a estreia irregular de Pedro Almodóvar em longa-metragem em inglês. Em The Room Next Door, o melodrama e a teatralidade são contidos, resultando em um drama muito comedido sobre a vida, a morte e as responsabilidades da amizade. Sem duas atrizes principais tão talentosas, é duvidoso que isso funcionasse. The Room Next Door é um filme pensativo, vital e até radiante! Apesar de duas protagonistas hipnotizantes, o drama de Pedro Almodóvar poderia ter se consultado com mais americanos para o roteiro. Elegante e confuso em medida equivalente, o primeiro longa-metragem em inglês de Pedro Almodóvar poderia ter usado um toque final de um supervisor de roteiro americano. Adaptado do romance de Sigrid Nunez, "The Room Next Door" é comportado de uma forma que não parece proposital, afetada e rígida onde deveria ser suntuosa, e dói a sensação de que o autor espanhol deixou sua sensibilidade e seu roteiro por meio de uma transferência direta para o inglês que não tem as nuances que, digamos, um tradutor literário bilíngue traria para um texto trazido da Europa para os Estados Unidos. Swinton foi a cobaia de testes para a primeira tentativa de Almodóvar de fazer filmes em inglês em seu curta-metragem teatral "The Human Voice". Aqui, ela fala quase como um alienígena tentando ler um roteiro de Almodóvar em cartões de sugestão mantidos em letras grandes atrás da câmera. Você pode imaginar que as duas grandes atrizes, tão ansiosas quanto qualquer um para estrelar um projeto de Almodóvar, estavam nervosas para dizer ao diretor que o ritmo arqueado e abafado de seus diálogos não é como personagens de filmes falam, mesmo em um melodrama, nem pessoas em um mundo fictício. Tilda Swinton faz uma performance monumental como uma mulher confrontando a morte no primeiro drama em inglês de Pedro Almodóvar!
AUTOR DO POST
Danilo Teixeira
Editor do Termômetro Oscar | CETI
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