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Chegou a hora daquela que talvez seja a estreia mais aguardada de Veneza.
Anos atrás, "Coringa", de Todd Phillips, estreou no festival, venceu o grande Leão de Ouro de Melhor Filme, e fez uma temporada brilhante chegando até o Oscar, liderando as indicações e levando os prêmios de Melhor Trilha Sonora e Melhor Ator para Joaquin Phoenix. Hoje tivemos a estreia da continuação, "Coringa: Delírio a Dois", que chega com Lady Gaga no papel de Arlequina, num filme que também se vende como um musical. Aliás, já falando da cantora, semanas atrás começou um burburinho de que ela seria coadjuvante na temporada de prêmios. O que pode ter sido confirmado agora, visto que parte grande da crítica diz o quanto ela merecia ter mais espaço e mais cenas! Lady Gaga brilha, mas poderia ser algo muito maior! O filme teve críticas mistas, com alguns dizendo que é uma grande obra-prima e uma inovação entre musicais, e outros dizendo que é um filme pouco interessante. O que é muito curioso, e não diz tanto sobre a temporada. Já que quando olhamos o "Coringa" original, o filme hoje tem no Rotten Tomatoes a nota de 69% vindo da crítica. O que é bem baixo se comparado aos 89% vindo das notas do público. As críticas mais negativas deste "Coringa", quando observadas em comparação, são em parte dos mesmos críticos que não deram notas boas para o primeiro filme. O The Guardian por exemplo deu notas medianas para os dois longas, e ainda diz que sente que esse é melhor do que o anterior. Esse filme tem tudo para seguir o mesmo caminho. Uma crítica dividida, e um sucesso absoluto de público e quem sabe mais um sucesso em premiações. Tão sombrio e ousado quanto o original. A aguardada continuação do polêmico sucesso de bilheteria vencedor do Oscar de 2019 é estrelada por um Joaquin Phoenix emocionado e emagrecido e uma Lady Gaga atraentemente cruel! Certos elementos da trama permanecem chocantes. As linhas entre fantasia e realidade nem sempre são claras, por exemplo. Mas no geral Folie à Deux é tão nervoso e perturbador quanto seu antecessor, replicando a ideia de cidades americanas modernas como barris de pólvora à beira da explosão. A escuridão no centro do filme é sublinhada por seu final muito brutal, que rejeita as convenções dos quadrinhos em favor da profundidade psicológica. A performance de Phoenix continua poderosa e emocionante. A genialidade disso é que não podemos deixar de nos importar com Arthur, apesar de sua perturbação. A sequência perturbadora e distorcida do Coringa de Joaquin Phoenix é terrivelmente realista – ao lado de uma Lady Gaga magnética, mas pouco utilizada! Lady Gaga faz uma investida de diva, com uma atuação sensacional e um grande talento musical! Os cenários inventivos do designer de produção Mark Friedberg, tanto no sombrio Arkham quanto nas fantasias estilizadas, agitam a tela visual de maneiras bem-vindas, e os figurinos vibrantes de Arianne Phillips para os números são um deleite. O fabuloso conjunto de lantejoulas laranja de Gaga, com top de saia e calças de palhaço, assim como uma peruca espetacular dos anos 60, é um visual arrasador. Alguns vão reclamar que Gaga é criminosamente subutilizada no filme. Mas, por mais que clame por mais números extravagantes em que a cantora e atriz brilhe, a personagem tem um arco completo. Mais dela provavelmente arriscaria transformar Folie à Deux em uma história de origem da Arlequina. A fotografia e a trilha sonora mais uma vez são um grande destaque. Joaquin Phoenix e Lady Gaga no brilhante musical de Todd Phillips retornam a um mundo de loucura! Com música, dança, comédia, escuridão, animação, drama, violência e muito mais, este é um musical — se é que é um musical — como nenhum outro. O filme comete o pecado mortal de desperdiçar Lady Gaga! "Joker: Folie à Deux" adota a abordagem de Rob Marshall com "Chicago" para números musicais. Eles acontecem principalmente dentro das cabeças de Arthur e Harley, representando seus mundos internos melhor do que suas circunstâncias reais. Joaquin Phoenix, é claro, é incrivelmente talentoso e traz novos insights para Arthur Fleck que o próprio Arthur parecia não entender até agora. Ele é acompanhado por Lady Gaga, cuja interpretação de Harley Quinn vai na contramão de praticamente todas as outras versões. Lady Gaga certamente parecia promissora, porque ela é uma ótima atriz e foi colocada na Terra (entre outras coisas) para fazer musicais. Mas Gaga, que tem uma adorável presença espontânea em "Folie à Deux", é drasticamente subutilizada. Gaga nunca tem a chance de fazer o que fez em "Nasce uma Estrela": capturar o público com seu arrebatamento.
AUTOR DO POST
Danilo Teixeira
Editor do Termômetro Oscar | CETI
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