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No quinto dia temos "Sheep in The Box", um drama japonês sobre IA com boas notas! Temos também uma atuação impressionante de Javier Bardem com "The Beloved". E por fim, Adam Driver se sai muito bem naquela que talvez seja o melhor filme de James Gray: "Paper Tiger"! "SHEEP IN THE BOX"O quinto dia de Cannes começa com um diretor já vencedor da Palma de Ouro. Hirokazu Koreeda venceu a Palma de Ouro em 2018 com o emocionante "Assunto de Família". Presença constante no festival, essa é a sua décima passagem por Cannes! No filme, em um futuro não muito distante, um casal enlutado pela perda do filho acolhe em suas vidas um humanoide com a mesma aparência e voz da criança falecida. O filme foi aplaudido por 3 minutos e meio, a primeira contagem realmente alta divulgada em Cannes nessa edição! Mas curiosamente parece que a crítica não ficou tão satisfeita quanto o público. Mesmo com ótimas atuações e cenas realmente tocantes, "Sheep in the Box" foi chamado de extremamente sentimental, ao ponto de ignorar muitas das questões filosóficas que o próprio filme levanta, como se a maioria dos conflitos fossem apenas ignorados. Mas o filme mesmo assim recebeu uma média boa de notas, e o forte apelo com o público o mantém na conversa. Ainda ajuda o fato de se a NEON já ter os direitos do longa. Construído em torno de três performances extraordinárias, o filme é um estudo leve, mas de alguma forma muito profundo, sobre o luto, que lida com a morte de uma maneira incomum, mas surpreendentemente catártica. Hirokazu Koreeda resiste à tentação do alarmismo em torno da IA para apresentar uma reflexão ponderada, comovente, por vezes engraçada e peculiar sobre o futuro. Mas sua credibilidade realista é comprometida por uma veia de sentimentalismo não totalmente justificada. Ainda assim, não é difícil entender por que a Neon adquiriu os direitos para os EUA, Reino Unido e Austrália no final de 2025: embora a narrativa seja um tanto dispersa, este é um filme de inegável coração e charme, que deve ter boa aceitação junto ao público internacional de filmes de arte. O diretor japonês não tem falta de ideias — principalmente o potencial da robótica avançada para trazer conforto aos enlutados. Mas poucas dessas ideias levam a conclusões satisfatórias, resultando em um drama que se torna meloso e insubstancial, buscando uma profundidade que permanece elusiva. Um mestre do sentimentalismo como Hirokazu Koreeda, ao fazer uma versão de um filme tão devastador quanto "A.I. - Inteligência Artificial", de Steven Spielberg, parece a receita perfeita para o drama mais lacrimoso do ano. Por isso, fiquei surpreso ao descobrir que "Sheep in the Box" é um dos dramas mais emocionalmente limitados que o diretor já fez. Um filme que se assemelha a um poema singelo e melancólico. "THE BELOVED"O diretor Rodrigo Sorogoyen faz a sua estreia em Cannes, mas ele carrega no currículo uma indicação ao Oscar em Curta-Metragem por "Madre", além de já ser um vencedor do Goya de Melhor Filme com "As Bestas". Ele chega em Cannes com "The Beloved", e todos os olhos estão em seu protagonista: Javier Bardem. No filme, um aclamado diretor se reúne com sua filha distante, uma atriz malsucedida, para filmar um filme juntos, confrontando seu relacionamento tenso e questões passadas não resolvidas que nenhum deles quer abordar diretamente. As críticas simplesmente enaltecem Javier, dizendo que eles está impressionante, brilhante e na atuação mais assustadora de sua carreira. Temos aqui um primeiro nome forte para o prêmio de Melhor Ator do Festival, lembrando que Javier já venceu em 2010 por "Biutiful", e depois foi indicado ao Oscar de Melhor Ator pelo filme. Javier Bardem impressiona! Certamente um dos melhores filmes sobre cinema desde A Noite Americana, de François Truffaut! Javier Bardem brilha! Já fazia um tempo que Bardem não tinha um papel tão direto em que pudesse se entregar completamente. Ele sempre tem uma presença formidável, mas como Esteban é uma força da natureza — carismático e manipulador, implacável, mas astutamente discreto — por um tempo, temos a sensação de estar assistindo a Javier Bardem em toda a sua beleza, magnetismo e inconfundível agressividade. O poder sutil de sua atuação, e que atuação fantástica, reside no fato de que levamos um tempo para compreender os jogos mentais que Esteban domina. Javier Bardem entrega a atuação mais assustadora de sua carreira! Aliás, Bardem e Victória Luengo: duas atuações excepcionais. Bardem está excelente no papel de um cineasta endurecido com um passado obscuro e uma reputação péssima, mas que ainda tem talento de sobra, na esperança de redimir seu relacionamento. Victoria Luengo e Javier Bardem entregam performances complexas e dolorosamente autênticas! "PAPER TIGER"James Gray é muito querido em Cannes, mas por algum motivo seus filmes nunca receberam prêmio algum. Essa é a sua sexta passagem em competição. Será que vai ser a melhor? Em "Paper Tiger", dois irmãos se veem envolvidos em um esquema que se revela bom demais para ser verdade. Enquanto tentam navegar pelo perigoso mundo da máfia russa, os laços familiares começam a se desfazer, com consequências que mudam suas vidas para sempre. Gray juntou novamente Adam Driver e Scarlett Johansson, uma dupla que deu muito certo em "História de Um Casamento" de Noah Baumbach, e ainda chamou também Miles Teller. E as críticas foram realmente boas. Talvez seja o melhor filme de James Gray, que mistura elementos de suspense noir com um denso drama familiar. E dá muito certo! Adam Driver entrega uma ótima atuação, e se tudo der certo, talvez seja um nome que veremos ao longo da temporada. James Gray parece sempre ser um diretor que fica abaixo do sucesso que ele merece, com uma carreira sólida e de ótimos filmes, agora parece ter força o bastante para estar entre os premiados de Cannes! O filme de Gray estreou na competição em Cannes esta noite, sua sexta vez e, vergonhosamente, ainda sem ganhar um prêmio neste festival. Paper Tiger pode mudar isso — e muito. Espero que sim. Ele já merecia há muito tempo, e esta pequena joia é a prova definitiva disso. Este drama policial noir ambientado em 1986 no amado Queens de Gray é muito bom. Adam Driver entrega a melhor atuação da carreira na tragédia devastadora de James Gray. Como todos os melhores filmes do diretor, “Paper Tiger” é ao mesmo tempo grandioso e assombrosamente pessoal. É um drama denso, com cenas impactantes e atuações grandiosas, porém cuidadosamente construídas: uma obra realmente substancial de Gray. Adam Driver, Scarlett Johansson e Miles Teller oferecem atuações profundas e inteligentes no centro do filme: todos os três personagens, à sua maneira, têm corações famintos. Adam Driver, Scarlett Johansson e Miles Teller entregam atuações memoráveis no drama policial intenso de James Gray! Driver em seu melhor papel até agora. Paper Tiger é um exercício tenso de suspense, com algumas sequências brilhantes que levam a tensão ao limite, enquanto a arrogância e a ilusão conduzem uma família a perigos que desconheciam – mas também é um estudo comovente de membros de uma família que podem discutir e ter desavenças acirradas, mas que quase sempre se despedem com as palavras: "Eu te amo".
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