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Chegamos ao quarto dia de Cannes! Em competição, "All of a Sudden" estreia com boas notas, mas é um filme longo e com ritmo bastante lento; Léa Seydoux é muito elogiada e "Gentle Monster" é o filme mais polêmico do festival até o momento; e John Travolta recebe uma Palma Honorária enquanto estreia com "Aventuras nas Alturas". "ALL OF A SUDDEN"O quarto dia de Cannes começa com um filme que estava entre os favoritos do festival nas pré-listas. Temos a volta de Ryusuke Hamaguchi com "All of a Sudden". A última vez que esteve em Cannes, Hamaguchi trouxe nada menos que "Drive My Car", que foi indicado ao Oscars de Melhor Filme, Direção e Roteiro Adaptado, e venceu o Oscar de Filme Internacional para o Japão. Em Cannes, o filme saiu com os prêmios de Roteiro e o Prêmio FIPRESCI de Melhor Filme de todo o festival! "All of a Sudden", com Virginie Efira e Tao Okamoto, fala sobre uma diretora de uma casa de repouso para idosos, Marie-Lou, que se esforça para implementar uma filosofia de cuidados inovadora, baseada na escuta ativa e no respeito à dignidade dos residentes, apesar da resistência de parte de sua equipe. Seu encontro com Mari, uma diretora de teatro japonesa que luta contra o câncer, transformará profundamente sua trajetória. O filme estreou com notas bem boas, principalmente elogiando o belo roteiro de Hamaguchi. Mas, com 3 horas e 15 de duração, o ritmo pode se tornar um problema. "All of a Sudden" é feito de longos dialogos sobre os mais variados temas, e por mais que a crítica diga que é um filme muito bonito, ao mesmo tempo diz também exige um pouco de esforço. Um filme com muitos pontos positivos, mas o impacto geral é diluído pela duração de algumas sequências que parecem intermináveis e quase mais um exercício acadêmico do que um filme propriamente dito. Muitas vezes parece uma palestra. Um filme transcendente sobre cuidado e conversa que, sem exageros, faz o mundo parecer um lugar mais gentil. Duas mulheres conversam por quase três horas e quinze minutos, e Ryusuke Hamaguchi transforma isso em um milagre singelo e impactante. É uma obra ousada e nobre, ainda que um tanto didática, que se estende por três horas. É uma obra terna e, por vezes, belamente construída, mas também artificial e, ocasionalmente, apresenta personagens carinhosos demais para serem verdadeiros. Francamente, é um tanto piegas. O diretor japonês Ryusuke Hamaguchi cria uma história de amor platônico repleta de diálogos fascinantes sobre democracia, capitalismo e mortalidade, tudo a serviço da busca por um propósito em uma sociedade muitas vezes insensata. Virginie Efira e Tao Okamoto estão maravilhosas como personagens complexos e de coração aberto, que se mostram uma companhia magnética. Uma abordagem contida permite que as cenas emocionais do filme impactem com toda a sua força. Exige paciência, mas oferece recompensas valiosas. "GENTLE MONSTER"Marie Kreutzer é uma diretora já conhecida em Cannes. Anos atrás ela estreou com "Corsage", que foi indicado ao BAFTA como Melhor Filme Internacional. Hoje ela chega com "Gentle Monster", que carrega em seu elenco duas queridas de Cannes: Léa Seydoux e Catherine Deneuve. O filme conta a história de Lucy, uma pianista de concertos, que acaba de se mudar com a família da cidade para uma casa de campo. Antes que tenham a chance de se instalar na nova casa, uma visita da polícia no início da manhã destrói seu mundo. Isolada e desesperada para proteger o filho pequeno, Lucy precisa enfrentar a situação sozinha, dividida entre o homem que ama e o medo do que ele possa ter feito. O filme trouxe muitas discussões para Cannes. Talvez seja o filme mais polêmico dessa edição. E o melhor ainda: com uma ótima atuação de Léa Seydoux. A atriz foi elogiada em todas as críticas, e considerando o quanto que o filme deve ressoar ao longo do festival, isso pode ser ótimo para ela! Este é um filme sombrio e pessimista com duas excelentes atuações principais! Léa Seydoux traz seriedade a um drama angustiante sobre o fim de uma família. A atriz francesa incorpora com maestria a angústia de uma esposa e mãe abalada! A moralidade ambígua de Gentle Monster frustrará alguns espectadores e arrancará aplausos de outros; De qualquer forma, o filme provocará debates acalorados após as exibições, o que certamente não prejudicará suas chances de sucesso na competição de Cannes. Léa Seydoux descobre a verdade sobre seu marido no impactante estudo de Marie Kreutzer sobre abuso sexual infantil. Um drama social intenso e implacável sobre os predadores que nos cercam — e como pode ser difícil enxergá-los como realmente são. Léa Seydoux impressiona em um papel complexo. "Aventuras nas Alturas" - fora de competiçãoEnquanto a competição entrega seus primeiros nomes favoritos, fora de competição temos a estreia de John Travolta na direção. "Aventuras nas Alturas" é baseado em seu próprio livro, que fala sobre seu amor pela aviação e o quanto uma viagem mudou a sua vida. Além de ser diretor e roteirista, Travolta também é o narrador do filme. A estreia em Cannes começou com uma excelente retrospectiva da carreira de Travolta, antes de Thierry Frémaux lhe entregar a Palma de Ouro Honorária. “Meu Deus. Este é um momento de profunda gratidão, um momento de pura gratidão, então, obrigado Thierry, do fundo do meu coração”, disse Travolta para a multidão empolgada. “Quando me encontrei com você em novembro, eu não esperava que meu filme fosse aceito. E quando Thierry disse que ele estava fazendo história como o primeiro filme a ser aceito tão cedo, eu chorei como uma criança. Eu simplesmente não conseguia acreditar, porque, na minha opinião, você é a pessoa mais perspicaz da indústria cinematográfica.” “Eu estava apenas feliz por estar aqui, nunca esperei por isso”, acrescentou Travolta. “Isso é muito mais do que o Oscar, de verdade.” O filme têm apenas 60 minutos, e não recebeu críticas tão boas. Sendo considerado quase que um filme familiar, tecnicamente bem fraco. Mas, provavelmente não era um filme que almejava prêmios. John Travolta queria unir seu amor pelo cinema e pela aviação, e fazer isso sendo homenageado em Cannes, já é algo gigantesco. É um presente que Travolta fez para si mesmo e para sua família, algo que ele provavelmente queria deixar como parte de seu legado. Isso não o torna um bom filme. O longa tem apenas 61 minutos de duração e, de alguma forma, parece mais longo. O entusiasmo contagiante chega a ser evidente em alguns momentos, e em outros, dá vontade de que ele tivesse trabalhado com um editor de roteiro mais direto. Mesmo assim, é divertido ver um projeto tão peculiar e autêntico. É como um filme caseiro com cenários melhores, e o fato de sabermos que é Travolta contando sua própria história é parte do seu encanto. Se o filme nos ensina algo genuíno, é que Travolta, desde cedo, olhava para a vida ao seu redor e a considerava mágica. Isso, à sua maneira, é um dom, um dom que ele transmite aos seus fãs filme após filme. A estreia de John Travolta na direção se revela uma história para dormir encantadora, peculiar e singular, do tamanho de uma novela. É um longa-metragem de uma hora, encomendado pela Apple TV, com um design de produção carinhosamente detalhado, porém inocente. Embora tecnicamente possa ser considerado um filme, a desastrosa estreia de John Travolta na direção, não é um filme. É uma produção rígida e agonizantemente sem vida. Apesar de parecer profundamente pessoal e com a intenção de explorar como as pessoas são moldadas pelas experiências formativas da juventude, a sensação é de que o filme foi dirigido por um alienígena descobrindo a interação humana pela primeira vez.
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