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Chegamos ao terceiro dia de Cannes, um dia muito aguardado! Em competição, "Fatherland" estreia com ótimas notas e uma grande Sandra Huller entregando outro excelente trabalho e "Parallel Tales" é a primeira decepcão do festival! "FATHERLAND"O terceiro dia de Cannes começa com burburinhos e expectativas de Oscar. Acontece que temos a estreia de Pawel Pawlikowski com "Fatherland". Pawel é um cineasta polones, diretor dos filmes "Ida" e "Guerra Fria". Ambos indicados ao Oscar! Com Sandra Huller, "Fatherland" conta a história do escritor Thomas Mann, e sua jornada de exílio contra o regime nazista. Aliás, Sandra Huller já é o primeiro destaque. Todas as críticas destacam o trabalho da atriz, dizendo o quanto ela brilha, o quanto só por ela o filme já valeria a pena e o quão impecável é o seu trabalho. Mas aqui também temos Pawel mostrando mais uma vez ser um ótimo diretor! O filme foi bastante elogiado por sua técnica, pelo roteiro inteligente, pela ambientação da época, pela fotografia preto e branco, e pela forma tão exata que o diretor constrói suas cenas. Sim, temos aqui um nome forte para Cannes, e uma grande possibilidade que se abre para o Oscar 2027! Paweł Pawlikowski é um mestre da precisão na execução de filmes! Pawlikowski tem uma parceira ideal em Hüller, que consegue transmitir quatro emoções simultaneamente com um simples olhar . Aliás, Hüller consegue fazer tudo. Um filme excepcional, que já está entre os favoritos para Palma de Ouro! Os dois atores estão impecáveis! A sedução pragmática do cinema de Pawlikowski reside na forma como ele encena tudo com uma autenticidade friamente objetiva. Ele confere a esse momento histórico uma qualidade de máquina do tempo, de modo que nos sentimos como se estivéssemos lá, nas ruínas da Alemanha em 1949, testemunhando a mudança dos rumos da história. Sandra Hüller e Hanns Zischler brilham no drama refinado de Pawel Pawlikowski! O roteiro alcança uma densa interligação de temas: o idealismo e suas ilusões; as relações familiares; a natureza da nacionalidade e do lar; a corrida da Guerra Fria para capitalizar o patrimônio cultural; o status antes intocável atribuído a artistas homens eminentes; a lenda de Fausto, elaborada por Mann e Goethe. Sandra Huller está, como era de se esperar, estelar, aproveitando ao máximo cada nuance emocional contida. Ela, por si só, já é motivo suficiente para assistir ao filme. Sandra Huller brilha nesse filme incrivelmente equilibrado, elegante e cujo controle mal consegue conter a dor pessoal e histórica de seus personagens. "PARALLEL TALES"Seguindo a força do terceiro dia, temos Asghar Farhadi, que chega pela quinta vez em Cannes! Em 2017, esteve pelo Festival com "O Apartamento", que mais tarde venceria o Oscar de Melhor Filme Internacional. Em Cannes, ele venceu como Melhor Roteiro. Pois bem, Farhadi chega com "Parallel Tales", que carrega um elenco internacional de lendas francesas, com Isabelle Huppert, Vincent Cassel, Catherine Deneuve e Virginie Efira. O filme conta a história de Sylvie (Isabelle Huppert) que, buscando inspiração para seu novo romance, começa a observar os vizinhos do outro lado da rua. Com altas expectativas pela força do diretor e desse grande elenco, o filme foi chamado de a primeira decepção de Cannes. A crítica diz que o elenco até se esforça, mesmo que por vezes fora do tom, mas que o roteiro é quase incoerente e cheio de clichês. Inclusive, até mesmo Isabelle Huppert não escapou, com a crítica dizendo que sua personagem é uma colagem de vários clichês. Uma pena. Esse era um filme que estava entre as apostas para a temporada. Alguns veículos elogiaram a ideia, mesmo com a execução não tão boa. Quem sabe o filme não se salva de alguma forma? O primeiro filme decepcionante de Cannes 2026! Um elenco incrível de lendas francesas vivas, incluindo Isabelle Huppert, Vincent Cassel, Virginie Efira e Catherine Deneuve, não consegue salvar o roteiro quase incoerente de Farhadi. Uma exploração intrigante, porém muito frustrante! A personagem de Huppert parece não tanto inspirada na experiência, mas sim retirada de um recipiente de clichês baratos. E isso se aplica, em grande parte, ao resto do filme também. Farhadi não manipula o público, mas o confunde. O filme consegue ser rigorosamente confuso, apesar de não ser tão complexo assim. Talvez isso se deva ao fato de as histórias que conta serem paralelas de uma forma tão diluída. Parece que elas competem para te decepcionar. Farhadi — perdido sem o ímpeto narrativo de seu neorrealismo característico — se esforça ao máximo para construir uma frágil casa de espelhos que, em última análise, é muito escura para refletir algo além dos limites de sua própria imaginação. Talvez eu esteja sendo um pouco duro demais com um thriller fundamentalmente despretensioso, mas é difícil perdoar um filme que te faz querer adiantar a cena sempre que Isabelle Huppert aparece. O filme é intrincado, elaborado, embora um pouco nebuloso.
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