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No penúltimo dia de competição tivemos "The Black Ball", e "Coward". Dois filmes muito fortes! "THE BLACK BALL"Javier Ambrossi e Javier Calvo fazem juntos suas estreias em Cannes. Esse time espanhol já fez história. "The Black Ball" foi aplaudido por 20 minutos, simplesmente a segunda maior ovação da história do festival, atrás apenas de "O Labirinto do Fauno". O fime, ainda sem sinopse oficial, conta 3 histórias em 3 momentos diferentes, mas que são interligadas, e misturam pessoas reais com personagens imaginados. Tudo com base em obras de Garcia Lorca. O elenco conta com jovens atores e algumas grandes estrelas, como Glenn Close e Penélope Cruz. E sim, o filme realmente teve críticas e notas muito boas, e a Palma de Ouro está totalmente em aberto com mais um nome favorito. Mas, alguns pontos podem atrapalhar o sucesso do filme: primeiro, são as 2 horas e 40 minutos, e parte da crítica reclamou do ritmo. Mas, o principal, é que parte da crítica também disse que o filme para ser melhor aproveitado, exige um conhecimento cultural sobre a história da Espanha. Vamos ver como o filme vai caminhar pós Cannes. Entrelaçando três histórias de épocas distintas da vida espanhola, este tríptico narrativo tem atuações magníficas e uma fotografia belíssima! “The Black Ball” possui uma abordagem formal exuberante e um sentimentalismo à flor da pele que lhe renderá fãs no Reino Unido e no exterior, tanto dentro quanto fora do mercado de filmes de arte LGBT. Mas também é um tanto arrastado: quase 160 minutos é um tempo considerável para se passar imerso no estilo ousadamente sinfônico dos cineastas, na companhia de personagens que, por mais que seus caminhos se cruzem ao longo do tempo, permanecem bastante bidimensionais do início ao fim, interpretados com uma sinceridade aceitável, mas sem muitos detalhes, por um elenco atraente. Uma épica vibrante e arrebatadora sobre homens gays na Espanha devastada pela guerra é um dos grandes destaques de Cannes. Javier Ambrossi e Javier Calvo, dirigem este drama impressionante! É um melodrama extenso e indisciplinado que almeja a complexidade multifacetada dos filmes clássicos de Pedro Almodóvar (que figura como produtor associado), mas que carece da elegância narrativa característica do mestre. Os espanhóis Javier Calvo e Javier Ambrossi conquistam corações com seu drama assumidamente romântico! É longo até mesmo para os padrões de Cannes e exige um conhecimento cultural muito específico (comece a estudar história e literatura espanhola agora), mas o nível de qualidade é extraordinário, principalmente na forma como três linhas temporais distintas — 1937, 1932 e 2017, nessa ordem — são entrelaçadas de forma impecável. "COWARD"Lukas Dhont é um nome que simplesmente não conseguimos não ficar de olho. Quando estreou em Cannes com "Girl", levou 3 prêmios para casa: Queer Palm, FIPRESCI da Un Certain Regard e o Golden Camera. Depois quando voltou com "Close", venceu o Grande Prêmio e meses depois foi indicado ao Oscar pela Bélgica. Agora, com "Coward", ele conta sobre um soldado belga que enfrenta seus medos e busca coragem nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, lutando contra seus próprios demônios internos enquanto o conflito brutal testa os limites de sua bravura e humanidade. O filme já estreou com a crítica dizendo que esse com certeza vai ser o representante da Bélgica no Oscar. E talvez estejam certos. Com boas notas, esse é um filme sobre dois jovens gays que se apaixonam durante a guerra. É chamado de o trabalho mais ousado de Lukas até então, mesmo sendo simples em termos de roteiro. A Bélgica deve chegar forte para uma nova indicação com Lukas. Os primeiros nomes do Oscar de Melhor Filme Internacional começam a despontar. Lukas Dhont criou um drama de guerra quase essencialmente direto, construído em torno do amor e do desejo queer. Com estreia em Cannes, falado em francês e flamengo, e praticamente certo que representará a Bélgica no Oscar, este filme sobre a herança cultural belga ostenta sua bandeira sem pedir desculpas. Os dois protagonistas exalam uma conexão tão vulnerável e genuína que compensa a potencial previsibilidade do roteiro. Ambientado em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial, é um filme de guerra apenas no nome, sendo mais uma celebração da necessidade humana de cantar, de dançar — mesmo nas circunstâncias mais inimaginavelmente horríveis em que todos esses jovens se encontram nos campos de batalha. Uma história de amor clássica do cinema, para todas as épocas, neste caso um romance queer que, em termos cinematográficos, parece tão universal e tão impossível quanto Casablanca. Lukas Dhont traz sua sensualidade pungente característica para o gênero de guerra infernal e entrega seu filme mais satisfatório até o momento. Um dos pontos fortes indiscutíveis dos filmes de Dhont tem sido sua habilidade em lidar com atores, especialmente jovens estreantes. Essa virtude é prejudicada aqui por protagonistas com pouca química, um deles inexpressivo e o outro afetado e teatral, propositalmente, se não com um efeito recompensador. Mas o que realmente afunda Coward é a grandiosidade autoconsciente com que o diretor se esforça para alcançar picos emocionais elevados em momentos que, em vez disso, soam vazios e artificiais.
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