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Outra importante tradição de Cannes é a divulgação do pôster, que sempre faz homenagem para a história do cinema. O desse ano é sobre o filme "Thelma & Louise", de Ridley Scott, que 35 anos atrás estreava em Cannes, como o filme de encerramento daquela edição.
O Festival escreveu: "Essas duas lutadoras inesquecíveis subverteram os estereótipos de gênero, tanto sociais quanto cinematográficos; elas personificaram a liberdade absoluta e a amizade inabalável; mostraram o caminho para a emancipação quando ela se torna essencial. Lembrar disso hoje significa celebrar a jornada já percorrida, sem negligenciar o que ainda está por vir. Com uma regata branca e uma pose descontraída, Louise nos encara e nos desafia com o olhar. Com um revólver no bolso de trás da calça jeans, Thelma observa o horizonte por trás dos óculos escuros. Ambas as mulheres sentam-se orgulhosamente em um Ford Thunderbird conversível de 1966. Sob o sol do Arkansas, em uma América deserta, elas pegam a estrada, escapam, fogem — da vida, da sociedade, dos homens que as maltratam — para trilhar seu próprio caminho. Temas inovadores em 1991 permeiam Thelma & Louise e ainda ressoam fortemente nos dias de hoje. Para representá-los, o Festival de Cannes escolheu esta imagem em preto e branco do set de um filme colorido que celebra a vida e as lutas atemporais pela liberdade de ser quem se é. Em 1991, para seu sétimo filme — escrito pela estreante Callie Khouri (vencedora do Oscar e do Globo de Ouro em 1992) e produzido por Mimi Polk Gitlin —, o cineasta britânico que se tornara um dos maiores cineastas contemporâneos, optou por subverter as convenções do road movie, um gênero cinematográfico masculino, para filmar uma versão feminina, contando a história de uma epopeia de tirar o fôlego que se transforma em uma fuga sem volta — a reconquista do controle de seus corpos e desejos teve um preço alto para as duas heroínas. Após seu lançamento nos Estados Unidos, este Easy Rider feminino provocou debates e controvérsias. Mas o sucesso foi inegável. Como uma detonação libertadora, o filme transgressor de Ridley Scott marcou um momento histórico na representação da mulher no cinema. Rapidamente se tornou um clássico de uma geração e hoje é um filme cult. Graças a uma dupla de atrizes estonteantes que lembram a parceria de Redford e Newman em Butch Cassidy e Sundance Kid, o filme é uma ode à amizade feminina, tendo como pano de fundo as paisagens selvagens e majestosas do Meio-Oeste americano, filmadas no estilo de um faroeste, com trilha sonora de Hans Zimmer. Duas atrizes fenomenais, Geena Davis e Susan Sarandon, entregam-se de corpo e alma às suas personagens, que se tornaram icônicas devido à intensidade de suas performances. Há trinta e cinco anos, as duas protagonistas do primeiro road movie feminista do cinema decidiram dar o salto, impulsionadas por um vento de libertação. Elas se tornaram ícones imortais. Hoje, elas nos confrontam e observam seu próprio legado".
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