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E vamos de quarto dia! Em competição temos "The Little Sister", que fala sobre uma jovem que se muda para Paris para estudar, e narra suas descobertas de sexualidade e liberdade, enquanto lida com a distância e a saudade de casa. Vamos falar também sobre "Eddington", do diretor Ari Aster, que faz uma paródia sobre o Estados Unidos durante a pandêmia. "THE LITTLE SISTER"Hafsia Herzi chega pela terceira vez em Cannes. Em 2021, ela venceu um prêmio especial na Un Certain Regard com o filme "A Boa Mãe". Agora chega no festival com "The Little Sister". O filme conta a história de Fátima, que deixa sua família unida do subúrbio para estudar filosofia em Paris, ela se vê dividida entre sua educação religiosa e a liberdade da vida estudantil na cidade, enquanto se descobre como uma mulher lésbica. A atuação principal de Nadia Melliti chamou muita atenção da crítica. O que é bom, e coloca uma disputa pelo cobiçado prêmio de Melhor Atriz. O filme foi bem elogiado, sendo um filme vibrante e bonito sobre a descoberta da sexualidade, deixando para trás a ideia de que filmes da temática exigem dor e sofrimento do personagem principal. Filmes com essa temática chamada de coming of age, quando dão certo, fazem bastante sucesso com o público. Podemos ter algo bem interessante aqui. Adaptando o romance semiautobiográfico de Fatima Daas, de 2022, "The Last One", a história do despertar sexual de uma jovem muçulmana gay, Herzi, com confiança, pega o que poderia ter sido uma história tradicional de revelação e a transforma em algo totalmente mais desafiador, um estudo de personagem que se passa na terra de ninguém entre as certezas opressivas da infância e as liberdades inebriantes do início da vida adulta. A leveza do filme pode não agradar a todos, mas se você se deixar levar, pode ter boas recompensas! Esta adaptação do romance multipremiado de Fatima Daas, embora vívida em sua representação da vibrante cultura lésbica de Paris, parece curiosamente leve e modesta em seu impacto emocional, dada a sísmica batalha interna travada pela personagem principal. Uma atuação comovente da estreante Nadia Melliti! É um espetáculo discreto! Um clássico instantâneo do gênero, tão comovente em seu humanismo quanto sensual. Uma vaga na competição de Cannes sem dúvida exerce uma pressão indevida sobre este trabalho comovente, porém modesto, embora seja uma perspectiva de cinema de arte amplamente acessível. "EDDINGTON"Depois de ser considerado um dos grandes nomes do novo terror, Ari Aster chega em Cannes com "Eddington". Eddington é uma pequena cidade fictícia no Novo México, nos EUA, na fronteira com território indígena americano; acompanhamos a história enquanto o lockdown da Covid-19 começa e o prefeito Ted Garcia (Pedro Pascal) e o xerife Joe Cross (Joaquin Phoenix) estão em desacordo quanto ao que fazer. O elenco ainda conta com Emma Stone e Austin Butler! O filme dividiu opiniões. Foi chamado de fracasso, decepcionante e tedioso. Mas também foi chamado de brilhante, audacioso, estimulante e inovador! Ari Aster fez barulho em Cannes! Agora nos resta saber como esse barulho vai soar para o júri, o que pode influenciar diretamente a temporada depois! Talvez um prêmio de roteiro possa levar o filme até o Oscar. O tedioso faroeste de Ari Aster sobre a Covid mascara o drama e silencia suas estrelas. Joaquin Phoenix, Pedro Pascal, Emma Stone e Austin Butler têm pouco com o que trabalhar neste fracasso decepcionante do diretor de Hereditário e Midsommar. Como fazer um filme satírico sobre a América moderna quando as notícias que saem de lá todos os dias são literalmente mais do que uma piada? Ari Aster é um dos raros diretores dispostos a ir por esse caminho, e seu novo filme, Eddington, é extraordinário não apenas por isso, mas por retratar um pedaço da história que ainda não vimos devidamente retratado em filme, embora tenha acontecido há apenas cinco anos. O filme falha em suas tentativas de distorcer a ideologia de direita americana! Acaba sendo uma sátira forçada. O olhar sombrio e brilhante de Ari Aster sobre a América pós-COVID parece o primeiro faroeste verdadeiramente moderno! O que começa como uma paródia surpreendentemente gentil de devaneios febris da era pandêmica, encontra um fundamento mais satisfatório ao se soltar para incorporar completamente esse caos! Eddington, de Ari Aster, é uma crítica brilhante e sangrenta da América moderna! Provocantemente audacioso e estimulantemente inovador! Este thriller estrelado e perturbado sobre as divisões dos EUA em meio à pandemia vai deixar você sem fôlego! O filme provavelmente teria sido melhor se tivesse sido mais focado (e mais curto), mas a visão perturbada de Aster faz toda a diferença!
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