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Com o final de Cannes, teremos agora uns três meses até os próximos festivais. E é nesse momento que as produtoras aproveitam para aumentar a propaganda dos filmes que estão para chegar, principalmente porque o verão norte americano está chegando e todos preparam alguma grande estreia que, se for muito bem, pode ressoar até a temporada de premiações. É por isso que esse é um bom momento para vermos os posteres que estão aparecendo e o que está por vir nessa temporada 2019: De Cannes para o Oscar? "Blackkklansman" saiu premiado de Cannes e enalteceu a volta de Spike Lee aos ótimos e ácidos filmes de Hollywood. Com produção do vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original por "Corra!", Jordan Peele, a história de um policial negro que se infiltra na Ku Klux Klan promete ser um sucesso na temporada. Andy Serkis lançou nessa semana o primeiro trailer de "Mowgli", sua versão sobre a história do menino lobo. Com um ótimo elenco de vozes e conhecendo o trabalho excelente de Andy na captura de movimento, o filme promete uma boa temporada de premiações! Charlie Hunnam e Rami Malek estrelam o remake do clássico "Papillon", sobre um homem que é preso injustamente e condenado a prisão perpétua. Na Ilha do Diabo ele conhece um outro prisioneiro que propõe um plano que pode fazer com que os dois saiam da prisão. O filme teve exibição especial em Toronto no ano passado e gerou expectativas boas para o cinema comercial. "Christopher Robin - Um Reencontro Inesquecível" está ganhando o público pela fofura de suas fotos, posteres e trailers. O filme de Marc Forster trás Ewan McGregor no papel do jovem que antigamente brincava com o Ursinho Pooh na floresta, mas que agora é um duro homem de negócios. Quando percebem o homem que seu amigo virou, Pooh e sua turma resolvem ir para a cidade para que ele se lembre de quem realmente é. O filme chega aos cinemas em agosto e pode ser uma boa surpresa no Globo de Ouro. Rami Malek é um dos nomes do ano. O jovem ator promete ser o primeiro nome garantido no Oscar 2019 com o papel de Freddie Mercury no filme "Bohemian Rapsody", a cinebiografia da banda Queen. Com um primeiro trailer empolgante e 2 posteres muito bonitos, o público está com as expectativas lá no alto! Danilo Teixeira - equipe CETI!
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Chega de especulações. O primeiro confirmado foi o ator Daniel Craig. Mas o ator afirma que esse será seu último filme da franquia do espião mais famoso do mundo. Depois de muita conversa e negociação, quem confirmou nessa sexta foi o diretor Danny Boyle, que assumirá o comando do novo filme. Passando de um vencedor do Oscar para outro, Danny Boyle terá uma tarefa complicada, pois pega a franquia das mãos de Sam Mendes, que fez um sucesso absoluto, principalmente com "Skyfall", que é considerado por muitos como o melhor filme de James Bond. O longa metragem será gravado em dezembro, com lançamento previsto para outubro de 2019. Essa é a quinta vez que Craig será James Bond, empatando com Sean Connery como o segundo ator que mais vezes viveu o espião. Danilo Teixeira - equipe CETI!
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24/5/2018 Com Jake Gyllenhaal e Joaquim Phoenix, confira o primeiro trailer de "The Sisters Brothers"!Seguindo a esteira das novidades de "Damsel", outro filme com ar de faroeste também divulgou seu primeiro trailer! "The Sisters Brothers", do diretor Jacques Audiard (dos muito premiados "O Profeta", "Ferrugem e Osso" e "Dheepan"), o filme é baseado no romance homônimo de Patrick DeWitt. Eli e Charlie Sisters são dois pistoleiros que recebem uma missão complicada: capturar e eliminar Hermann Kermit Warm, um explorador de minas de ouro. Os assassinos perseguem o explorador através do deserto do Oregon, no entanto, Eli começa a ter uma crise de consciência sobre a carreira que leva. Para se salvar, Hermann pode se aproveitar dessa fraqueza momentânea e oferecer um acordo melhor para os irmãos. O elenco promete grande visibilidade do filme na temporada de premiações: Jake Gyllenhaal, Joaquim Phoenix, John C. Reilly e Riz Ahmed, além da direção de Audiard, que é um diretor vencedor da Palma de Ouro e com indicações ao Oscar e ao Globo de Ouro, além de 2 vitórias no BAFTA. Confira o trailer: Danilo Teixeira - equipe CETI!
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24/5/2018 Confira o primeiro trailer de "Damsel", a comédia de faroeste com Robert Pattinson e Mia Wasikowska!Assim como "Wildlife" teve seu primeiro trailer divulgado ontem, hoje temos "Damsel", que também teve sua estreia em Sundance e algumas críticas bem boas. No filme, Samuel Alabaster (Robert Pattinson) faz uma jornada no velho oeste selvagem até a fronteira americana para se casar com o amor da sua vida, Penélope (Mia Wasikowska). Ao lado do bêbado Parson Henry e do bastardo Rufus Cornell, sua simples viagem fica cada dia mais perigosa e as distinções entre heróis, donzelas e vilões logo se confundem. Irônico e interessante, o filme, dirigido por David e Nathan Zellner, é uma aposta peculiar para o Globo de Ouro de Melhor Filme em Comédia, assim como um primeiro reconhecimento de Pattinson nas premiações. Confira o trailer abaixo: Danilo Teixeira - equipe CETI!
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Paul Dano começou muito bem a sua carreira como diretor! "Wildlife" foi muito bem elogiado em Sundance no começo do ano e depois foi selecionado para abrir a Semana da Crítica em Cannes, colecionando mais um bom tanto de boas críticas. Com Jake Gyllenhaal, Carey Mulligan, Bill Camp e Ed Oxenbould, o filme fala sobre Joe, um menino de 14 anos de idade que começa a perceber que sua família está desmoronando. O pai, Jerry, acaba de perder o emprego, mas não quer que a esposa trabalhe. A mãe, Jeanette, não pretende ficar de braços cruzados diante da crise e começa a ganhar sua autonomia. Quando Jerry decide ficar muitos meses fora de casa, num trabalho temporário apagando incêndios pela região, Jeanette decide que é hora de refazer a sua vida e acaba conhecendo outro homem. O filme é uma aposta absoluta para o Oscar. Principalmente novas indicações para Jake e Carey. Confira o trailer abaixo: Danilo Teixeira - equipe CETI!
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Dirigido por Brad Furman ("Conexão Escobar", "O Poder e a Lei"), foi divulgado o primeiro trailer de "City of Lies". O filme conta a história de Russell Poole (Johnny Depp), um detetive da polícia de Los Angeles incumbido de resolver um dos casos mais emblemáticos de violência dos Estados Unidos: a morte dos famosos rappers Notorious B.I.G. e Tupac Shakur. Em meio às investigações, ele terá de lidar ainda com toda a antiga rivalidade entre a Costa Oeste e a Costa Leste em relação ao gênero musical. "City of Lies" chegará aos cinemas em setembro. Danilo Teixeira - equipe CETI!
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Dois anos atrás a Disney lançou a versão live-action de "Mogli". O filme é muito divertido e foi muito bem aceito pela crítica e pelo público. Sendo bem fiel a versão animada, o longa venceu o Oscar de Melhores Efeitos Visuais. Agora é a vez do mestre da captura de movimento lançar a sua versão. Andy Serkis divulgou o primeiro trailer de "Mowgli"! Conhecido por fazer personagens fantásticos no cinema como o gorila de "King Kong", os macacos e o César de "Planeta dos Macacos" e o Gollum e o dragão Smaug no "O Hobbit", a sua versão para o clássico infantil é muito aguardada e já promete ser um show visual absoluto. As vozes do filme serão de Benedict Cumberbatch, Christian Bale, Naomie Harris, Cate Blanchett e do próprio Andy. Confira o trailer: Danilo Teixeira - equipe CETI!
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21/5/2018 Festival de Cannes 2018: Os 6 candidatos que subiram e os 6 que desceram na corrida do Oscar 2019!O Festival de Cannes terminou, mas o termômetro Oscar 2019 está apontando suas primeiras mudanças! Por isso, separamos algumas principais coisas que aprendemos em Cannes e montamos esse primeiro "sobe e desce", para vermos, por enquanto, o que parece mais próximo e o que parece mais distante do Oscar. O que não quer dizer às vezes que o filme seja ruim, apenas que agora está mais distante do Oscar por algum motivo que iremos explicar. Só lembrando que Cannes é apenas o começo de muita coisa que ainda vai acontecer e mudar, da mesma forma que, alguns dos longas abaixo, já podem estar traçando seu caminho até o Oscar 2019.
Danilo Teixeira - equipe CETI!
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E mais um Festival de Cannes chega ao fim! Trazendo, outra vez, o melhor de tudo do cinema! Os resultados votados pelo Júri presidido por Cate Blanchett foram revelados e, com certeza, muito comemorados e aplaudidos. O grande vencedor da Palma de Ouro foi Hirokazu Koreeda com o filme "Shoplifters". O diretor já havia vencido em 2013 o prêmio do Júri por "Pais e Filhos". Estreando no sexto dia de festival, "Shoplifters" foi muito bem recebido pela imprensa, tido como um filme reflexivo e emocionante. Relembre a sinopse: "Depois de uma de suas sessões de furtos, Osamu (Lily Franky) e seu filho se deparam com uma garotinha. A princípio eles relutam em abrigar a menina, mas a esposa de Osamu concorda em cuidar dela depois de saber das dificuldades que enfrenta. Embora a família seja pobre e mal ganhem dinheiro dos pequenos crimes que cometem, eles parecem viver felizes juntos até que um incidente revela segredos escondidos, testando os laços que os unem". O resultado de Cannes aponta diretamente para o Oscar 2019, principalmente para filme estrangeiro! Os demais vencedores do prêmios principais tem tudo para fazer uma excelente temporada. Marcello Donte venceu interpretação masculina por "Dogman" e pode dar um bom empurrão para o filme continuar firme nas premiações. O mesmo acontece com Pawel, o diretor vencedor por "Cold War", que está com bastante chance de ser visto no Oscar. Vale lembrar que ele venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por "Ida". Mas, um dos maiores destaques, é Spike Lee ter vencido o Grand Prix por "Blackkklansman"! O diretor está com boas chances de fazer uma interessante corrida rumo ao Oscar 2019! Confira todos os vencedores desse ano, abaixo: PALMA DE OURO "Shoplifters", de Hirokazu Koreeda PALMA DE OURO ESPECIAL Jean-Luc Godard, por "Image Book" GRAND PRIX "Blackkklansman", de Spike Lee MELHOR ATOR Marcello Donte, por "Dogman" MELHOR ATRIZ Samal Yeslyamova, por "Ayka" MELHOR DIRETOR Pawel Pawlikowski, por "Cold War" MELHOR ROTEIRO (empate) Alice Rohrwacher, por "Happy as Lazzaro" Nader Saeivar, por "3 Faces" PRÊMIO DO JÚRI Carphanaum, de Nadine Labaki CÂMERA DE OURO "Girl", de Lukas Dhont PALMA DE OURO PARA CURTA-METRAGEM "All These Creatures", de Charles Williams O 71º Festival de Cannes pode ter terminado, mas agora é que realmente começa a corrida rumo ao Oscar 2019! Obrigado à todos que acompanharam esses 11 dias de festival com a gente. Danilo Teixeira - equipe CETI!
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"The Wild Pear Tree" não pode ser descrito com menos que belo e marcante. Falar sobre o fosso que existe entre as gerações tendo como pano de fundo a sociedade turca e a beleza insólita do país foi um convite a reflexão e a vontade de mudar as pequenas ações de cada dia. Ao mesmo tempo, "Ayka" é um filme duro, pesado, sobre a pobreza, o abandono e a miséria de quem não tem aonde viver em Moscou. O último dia de competição em Cannes foi forte! "Ayka"Vencendo 3 prêmios em 2008 na mostra Un Certain Regard com o filme "Tulpan", o diretor Sergey Dvortsevoy chega até Cannes sob as expectativas de estar no último dia de competição de um festival que teve muita coisa boa! "Ayka" fala sobre uma jovem grávida que trabalha e vive ilegalmente em Moscou, em meio a pobreza e a miséria. Depois de dar a luz no hospital, ela deixa o recém nascido para trás e, sem avisar ninguém, desaparece. Porém, algum tempo depois, ela se arrepende e resolve ir em busca da criança. O THR falou sobre a força do filme e o trabalho excelente da atriz Samal Yeslyamova: "Tendo trabalhado juntos anteriormente em 'Tulpan', o diretor Sergey Dvortsevoy e a atriz Samal Yeslyamova estão reunidos para este trabalho sobre uma mulher que enfrenta decisões de vida ou morte nas ruas de Moscou. Sergey Dvortsevoy retorna à Croisette para competição com o esperançoso 'Ayka', um caso muito sombrio sobre os infernos bêbados e sujos de Moscou. E se você conhece Moscou, sabe que é um inferno sujo. Girando em torno de uma performance intensa e comprometida de Samal Yeslyamova como a heroína, filmada frequentemente em close-up por uma câmera portátil. Ela pisa as calçadas nevadas em busca de trabalho, frenética por dinheiro para pagar uma dívida. Dvortsevoy aumenta a miséria, mostrando nos primeiros minutos que a protagonista Ayka acaba de dar à luz e, depois de abandonar seu bebê na maternidade, deve lutar não somente contra a pobreza, rejeição e ameaçadores agiotas e latifundiários, mas também com o intenso sangramento pós-parto". o Screendaily fala sobre a tristeza crescente do filme: "Os limites da empatia são testados em 'Ayka', um drama intimista sobre uma jovem empobrecida do Quirguistão que tenta sobreviver em Moscou depois de abandonar seu recém-nascido. O cineasta Sergey Dvortsevoy nos coloca em uma situação desesperada e, em seguida, oferece pouco alívio, o que efetivamente captura a mente de sua heroína, mas também, infelizmente, começa a produzir retornos dramáticos decrescentes. Samal Yeslyamova faz uma performance extremamente reservada, mas a implacável tristeza do filme acaba se mostrando mais programática do que orgânica". Talvez, o que mais possamos destacar, é que poucas atrizes foram tão comentadas quanto Samal, o que pode coloca-lá como um interessante nome para o prêmio de atuação feminina. "The Wild Pear Tree"O 71º Festival de Cannes fez a sua última exibição da seleção oficial com "The Wild Pear Tree", do diretor turco Nuri Bilge Ceylan, já com uma extensa coleção de vitórias em Cannes. A Palma de Ouro ele ganhou por "Sono de Inverno", o Grand Prix pelos "Distante" e "Era uma Vez Anatolia" e Melhor Diretor por "3 Macacos". Este pequeno histórico foi o suficiente para fazer de sua atual produção a mais e esperada, e talvez tenha sido a mais aplaudida. O sucesso do filme foi tanto que ganhou 5 estrelas do The Guardian e nota A do Indiewire, além de muitos outros elogios da parte da imprensa internacional. Tudo isso porque de maneira equilibrada e bem dirigida conta sobre um jovem escritor que tem a a tarefa sempre difícil de voltar para casa e lá enfrentar verdades agridoces. Tudo isso com uma direção de fotografia impecável e um roteiro que constrói elaboradas camadas retóricas de densidade espantosa. O que muito se foi comentado é que nenhuma cena ou fala do filme é em vão, tudo o que se vê é maravilhoso e para guardar na memória. As pouco mais de três horas passam que o expectador nem percebe por estar tão envolvido. "The Wild Pear Tree" é um filme gentil, humano, magnífico e belamente feito. Na verdade, ele não é diferente de uma telenovela da vida familiar, só que tomado em um ritmo e elaboração muito elevado. E o tempo todo as questões sobre a vida e as escolhas que somos obrigados a fazer aos 20 ano, seguem um caminho sinuoso no filme. É um longa inteligente e profundamente satisfatório da arte de fazer filmes que Ceylan domina", afirma Peter Bradshaw, do The Guardian. Como dito acima, o sucesso da produção está na junção de quatro pontos primordiais: um roteiro desafiador, uma direção afiada, atuações competentes e uma fotografia inteligente. Jay Wessberg, da Variety, destaca alguns destes pontos: "Como se o roteiro não fosse suficientemente denso, Ceylan usa quase que exclusivamente sequencias médias e longas, ou os filma por trás, dificultando a visão de quem está falando. Isso tem tudo a ver com o tema, que é sobre a rejeição juvenil da responsabilidade e que julga as gerações mais velhas como acomodadas em suas escolhas de vida." E não é que o diretor tem razão em sua leitura da vida e das características das gerações? O responsável pela fotografia é Gökhan Tiryaki, que habitualmente trabalha com o diretor, ele usou o Red Weapon 6K, reproduzindo os contrastes da cidade e do campo. A experiência de assistir a "The Wild Pear Tree" foi tão marcante que Dan Fainaru, do Screemdaily, faz um conclusão emocionante: "Este filme tem algumas cenas que são realmente inesquecíveis e você ainda tem que lidar com um texto denso e legendas. Não se pode deixar de desejar, de vez em quando, uma chance de poder voltar a fita e ouvir novamente. Isso, infelizmente, não é uma opção aberta na vida." Olhas para os pequenos momentos que podem ser grandes instantes na vida, Ceylan te oferece essa oportunidade. Fotos do dia 11Juliana Leão e Danilo Teixeira - Equipe CETI!
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Cannes está se encaminhando para o final, mas ainda em tempo de exibir bons filmes, como foi ontem com "Knife + Heart" e "Capharnaum". O primeiro é francês e explora o mundo das produções eróticas francesas na década de 70, o outro pode marcar um vitória histórica para a diretora libanesa Nadine Labaki. A atenção está toda voltada para "Capharnaum", que se colocou como um dos favoritos a Palma de Ouro. Knife + HeartQuerida cantora francesa e tida no início dos anos 90 como a mais promissora atriz francesa, a carreira de Vanessa Paradis bem que oscilou no decorrer dos anos, mas em nenhum momento se tornou desinteressante. Ela venceu o Prêmio César em 1990 com o intenso drama "Boda Branca" e chegou a ser indicada mais uma vez, pelo longa "A Garota Sobre a Ponte". Agora chega a Cannes com o thriller "Knife + Heart", do diretor Yann Gonzalez, já vencedor no festival - Queer Palm - ano passado com "You and the Night". Se você gosta do estilos das produções de Brian de Palma, vai se identificar com esta, pois as reviravoltas e os níveis de tensão estão presentes. Afinal, o terreno sobre o qual Gonzalez deseja falar pode ser habitual das suas obras, mas sempre são complexos e repletos de nuances interessantes. Em "Knife + Heart" ele explora o mundo da pornografia gay dos anos 70, contando sobre Anne, uma produtora de pornografia. O primeiro olhar da crítica foi direcionado a ambientação que o diretor procura imprimir na produção, desde o título escolhido até a fotografia empregada. "O título sugere paixões pouco românticas e mais extremadas, parece que a proposta é que ele se mantenha no figurado. Então você percebe, naquele verão de 1979, que uma faca no coração seja, talvez, a maneira mais agradável de descrever as vítimas de um serial killer que alternadamente emprega um canivete e uma vareta para cortar gargantas. Os assassinatos são gráficos, a sexualidade não é. Gonzalez apresenta uma ideia quase lúdica do que passou por pornografia gay na época", aponta Peter Debruge, da Variety. O The Hollywood Reporter destaca o trabalho que Gonzalez faz de sua protagonista: "Ele se diverte explorando o lado obsceno das produções de Anne, embora quando conhecemos a mulher, ela está totalmente aflita depois de terminar com a namorada de longa data Lois. Ela decide embarcar em uma nova produção em que recria os assassinatos em frente à câmera, enquanto investiga os assassinatos por trás dele." Desta forma "Knife + Heart" acaba se transformando em um filme dentro de um filme, o que é ótimo pois obscurece as fronteiras entre realidade, ficção, sonhos e desastres. No final, o que foi visto foi um fim bom, mas nada excepcional. Contudo o que vale é a oportunidade de ver a estrela pop Vanessa Paradis nos grandes festivais. Completou Jordan Mintzer que ela "apresenta uma de suas mais fortes atuações, como uma mulher que lida com a tristeza de um rompimento e o tumulto da paixão artística." Destaque ainda o ator e diretor francês Jacques Nolot, cujo filme "Porn Theater" também serviu como uma referência. CapharnaumParece que os organizadores de Cannes resolveram deixar o melhor para o final! "Capharnaum" emociona muito e ao acender as luzes, as lágrimas haviam tomado conta de toda a sala de cinema. O filme agora divide o favoritismo da Palma de Ouro ao lado de "Dogman" e "Blackkklansman". "Capharnaum" é dirigido pela libanesa Nadine Labaki, que pode se tornar a segunda mulher a receber a Palma em 71 anos de evento. Na trama, um menino com 12 anos, preso por esfaquear alguém, leva seus pais à Justiça. Ele quer processar o casal por ter dado a vida à ele e não ter se esforçado em zelar por seu bem e amá-lo. O THR elogiou muito toda a equipe técnica: "Aqueles que não concordarem com a exploração sincera do filme sobre as profundezas do desespero não serão apaziguados pelas muitas colisões de coincidências e discursos grandiosos do último ato. Mas é impossível não apreciar a edição vigorosa de Konstantin Bock e Laure Gardette, que mantém as coisas em um clipe que emociona como uma onda, e a maneira como a cinematografia de Christopher Aoun, muitas vezes intercalada com cenas de tirar o fôlego, mostra Beirute em todas as suas cenas entre o esplendor e o miserável". Variety elogiou a direção e falou sobre a certeza de levar prêmios: "Provando-se uma diretora surpreendentemente talentosa de artistas não-profissionais, bem como uma contadora ótima de histórias, Labaki chama a atenção para a situação das crianças nas favelas de Beirute e as pessoas sem identificação. Os prêmios são quase uma certeza, e não apenas porque o júri pode ser mais propenso a premiar mulheres neste momento particular da história - não é de admirar que a Sony Pictures tenha comprado o filme no mercado de Cannes para distribuição, já que este é um filme libanês que deve ser significativo em cinemas de arte do mundo todo". O The Wrap foi absoluto: "Capharnaüm", de Nadine Labaki, vinha gerando sussurros e especulações desde antes mesmo do Festival de Cinema de Cannes deste ano, mas nos últimos dias esse burburinho cresceu até chegar ao ponto máximo. Falava-se nas guerras de das produtoras competindo para exibir o filme e de todos os tipos de prêmios que poderiam vir. É suficiente dizer que os jornalista entraram na estréia da noite de quinta-feira com um conjunto de expectativas pesadas. E agora que o pó desapareceu, agora que o público de gala finalmente parou de gritar e aplaudir após a sua ovação de 15 minutos, podemos dizer com certeza: é tudo verdade, tudo o que a Sony Pictures pagou valeu a pena. O tempo dos sussurros acabou - agora você vai ouvir muito sobre esse filme". "Capharnaum" é um filme absoluto para a temporada de premiações. Deve receber prêmios em Cannes e tomar a temporada, com muitas chances de ser o escolhido do Líbano para o Oscar e com muitas chances de ser indicado. Fotos do dia 10Juliana Leão, Danilo Teixeira - equipe CETI!
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O festival se aproxima da sua reta final e logo mais, no domingo, conheceremos o vencedor da Palma de Ouro! O nono dia foi marcado pela segunda presença de Roberto Benigni, que participou da exibição de "Dogman" por causa de sua amizade com o diretor, também italiano, Matteo Garrone. Já "Burning" é uma produção doce e ao mesmo tempo inquietante do diretor Lee Chang-dong. BurningPela primeira vez em Cannes, depois de anos de excelentes desempenhos nos festivais da Ásia, o cineasta sul coreano Lee Chang-dong realmente encantou e fez pensar. Com “Burning”, um thriller romântico, ele tenta discutir e entender os mistérios da vida, além de retratar o doloroso caminho de aprendizado de um escritor. O elenco traz um rosto muito conhecido dos fãs de série, Steve Yeun de “The Walking Dead”, e de longas como “Okja” e “Um Dia de Caos”. No longa vamos conhecer a história de um aspirante a escritor e um rico artista se tornam rivais pelas afeições de uma jovem carismática. A princípio a história pode parecer boba e já muito desgastada pela indústria, mas não neste filme. "Este é um filme belamente trabalhado, carregado de vislumbres e observações em um discreto triângulo amoroso. Ele é repleto de percepções sutis sobre o privilégio de classes que reverbera sobre os legados de família, na criatividade, na auto-invenção, no ciúme sexual, na justiça e na vingança.", considera Todd McCarthy, do The Hollywood Reporter. Muito interessante é a maneira como o roteiro é trabalhando durante as mais de duas horas de filme, que é baseado no conto de Haruki Murakami. "Verdade e significado são impossibilidades virtuais na obra de Lee. Todo o longa é meticulosamente calibrado em sua ambiguidade, incentivando certas suposições que nem os personagens nem o público podem comprovar completamente, é como estar nas pontas dos pés.", conclui Peter Debruge, da Variety. Por isso, o sucesso de "Burning" está dependente da capacidade do expectador em criar identificação com os sentimentos de inveja e frustração implicitamente transmitida durante todo o filme. Outro fator que ganhou bastante destaque nas reviews internacionais foi a fotografia de Hong Kyung-pyo, considerada quase como um personagem a parte. Destaca Thomas Sotinel, do Le Monde, "Iniciado em uma luz outonal, o filme afunda no inverno. A brutalidade, assim como a da luz do inverno que pouco a pouco invade "Burning" até sua conclusão brutal e virtuosa, não contradiz a necessidade da dimensão imaginária, ela ao mesmo tempo conforta." Talvez seja a junção destes fatores que fez sucesso nas salas de cinema do balneário francês, o amor ancorado num intenso senso de realidade. Não há muito tempo, Lee Chang-dong, foi ministro da cultura na Coreia do Sul, depois ele entrou na lista negra, estabelecida pelo regime da Presidente Park, recentemente afastada do poder. É bom tê-lo de volta, e Cannes comemora. DogmanPela quarta vez competindo em Cannes (e com 2 vitórias do Prêmio do Júri), o diretor italiano Matteo Garrone sempre é acompanhado com burburinhos e expectativas em alta. O filme da vez é "Dogman", que fala sobre Marcello (Marcello Fonte), um humilde funcionário da petshop Dogman, localizada na periferia de Roma, que se envolveu em um dos piores crimes já registrados na história da Itália. Dominado por um sentimento de vingança incontrolável, ele decidiu torturar, durante horas, um ex boxeador que atormentava todos os moradores do bairro em que vivia. Com um premissa interessante, adianto que o filme foi aplaudido por 12 minutos após a exibição! E se tornou um dos favoritos à Palma de Ouro (ao lado do filme de Spike Lee), e a atuação de Marcello Fonte é o favorito ao prêmio de atuação masculina. O THR começou a crítica de forma direta: "Dogman, de Matteo Garrone, é uma experiência visual tão intensa, que fará o público agarrar seus braços com o retrato assustadoramente real de um bom homem tentado pelo demônio". Teve diversos elogios também para a equipe técnica: "Como em todos os filmes de Garrone, a iluminação e o trabalho de câmera (às vezes portátil e humano, às vezes fixo, acima e divino) desempenham um papel importante na criação de um cenário que é ao mesmo tempo real e imaginado. A cinematografia de Nicolaj Bruel descreve desolação extrema com uma paleta cuidadosa de cores limitadas que ainda conseguem ser atraentes. Os sets de Dmitri Capuani são espalhafatosos a ponto de ser humorísticos e deprimentes, enquanto a trilha quase abstrata de Michele Braga afloram os nervos". O The Guardian entregou 5 estrelas em 5 (pela primeira vez no festival): "A aparência de Dogman é terrivelmente boa; Garrone tem tal brio na maneira como nos mostra a pequena vida feliz de Marcello, levando-o à sua própria avaliação sentimental de si mesmo e depois nos mostra sua queda na amargura e vingança - e sua capacidade quase sobre-humana de absorver punição física. Há algo angustiante na forma como ele faz carinhos nos cães, a maneira como ele os domina, os controla. Um filme com força incomparável". O Screendaily falou sobre a atuação de Fonte: "o filme se transforma em um conto ressonante e universal sobre sofrimento e sonhos perdidos nas mãos do diretor, em grande parte graças ao memorável personagem central criado por Garrone e seus co-autores, traduzido brilhantemente na tela pelo ator-diretor Marcello Fonte". Cannes ganhou um favorito. Muito provavelmente "Dogman" deve levar um ou dois prêmios do Festival e, se isso acontecer, as chances de ser o representante da Itália no Oscar, se tornam bem grandes. Fotos do dia 9Juliana Leão, Danilo Teixeira - equipe CETI!
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O oitavo dia de festival tem um nome como principal: Han Solo. O spinoff da franquia "Star Wars" entra pelo tapete vermelho sob o peso de altas expectativas e a missão de manter o alto nível dos novos filmes. O novo longa de Andrew Garfield, "Under the Silver Lake", também chega em Cannes e, por enquanto, o filme é um dos nomes interessantes para o Oscar 2019. Under the Silver LakeHá muito se diz que Andrew Garfield é um dos atores mais promissores de sua geração, o que não é uma inverdade, dado ao fato que sempre foi muito responsável em aliar produções de apelo popular como "O Espetacular Homem Aranha", com outras de mais força cinematográfica como "Silêncio" e "Até o Último Homem", pelo qual foi indicado ao Oscar. Sua aposta desta vez é a dramédia de suspense "Under The Silver Lake", de David Robert Mitchell, talvez o filme mais "estranho" que tenha passado por Cannes nesta edição. Este estranhamento está justamente na dificuldade de fazer definições sobre ele, sendo tachado de um mal-humorado noir ao mesmo tempo sedutor e desconcertante, ou então que é um longa amplo e indulgente, mas com ótimos momentos. "Este filme é uma homenagem de Mitchell a David Lynch. Ele consegue a aparência, o humor, o ritmo e a vibração, você fica até animado, e deveria. Contudo é esta comparação que o atormenta, porque fica tudo muito esquisito neste cotidiano-surreal, parece o Lynch de "Estrada Perdida" ou até, às vezes, a reinicialização de "Twin Peaks", comenta Owen Gleiberman, da Variety. A história se passa em Silver Lake, famoso bairro cool de Los Angeles, em que um homem fica obcecado pelas peculiares circunstâncias do assassinato de um bilionário e o sequestro de uma garota. David Rooney, do The Hoolywood Reporter define as intenções do longa, mas também aponta os erros: "Under The Silver Lake" molda a geografia e a arquitetura distinta de Los Angeles de forma socialmente estratificada e em uma fotografia fascinante, por vezes reluzente e sombria. Entretanto, apesar de uma liderança convincente de Andrew Garfield, a tensão se dissipa em vez de aumentar, à medida que esse neo-noir se transforma em um pântano lynchiano de extrema estranheza." No elenco ainda estão Riley Keough, Sydney Sweeney , Jimmi Simpson e Topher Grace. Ben Croll, do The Wrap, procurou pontuar o trabalho de Michell comparando com seus trabalhos pretéritos: "Mitchell pode ser engraçado às vezes, na verdade, muitas vezes ele é. E aqueles que estão familiarizados com seus filmes anteriores como "The Myth of the American Sleepover" e "Corrente do Mal" sabem que ele trabalha com a cultura jovem. Ele não perdeu nada de sua verve aqui, mas optou por ultrapassá-la, maximizando o espaço já generoso do tempo de execução de quase duas horas e meia do filme. “Under The Silver Lake” parece o produto de um cineasta talentoso usando seu primeiro grande orçamento para esvaziar um inventário de idéias." Ao final da sessão você é inundado de referências de Hollywood, do incomum ao óbvio, que faz fronteira com o pastiche. Dentro de suas incongruências, este é um filme emocionante e desconcertante, mas também pela opacidade da teoria da conspiração. At WarVincent Lindon é um veterano ator francês, com uma carreira extensa e repleta de produções de muito sucesso como “O Ódio” e “Tudo por Ela”. Em Cannes ele é o protagonista do drama “At War”, de Stéphane Brizé, entregando um personagem confiável e de muita segurança, num filme que traz um relato brutal da força de trabalho industrial dentro de uma França tão plural e nervosa. Ator e diretor já trabalharam juntos em “O Valor de um Homem”, que ganhou um prêmio especial no festival há três anos. Esta também é a terceira vez que o diretor chega a Cannes, sendo a primeira pelo longa “Le Bleu des Villes”. Contudo nesta produção ele conta sobre algo muito mais delicado, a trama foca em uma empresa que depois de prometer a 1100 funcionários que manteria os seus empregos, os gerentes de uma fábrica decidem fechar de repente a loja. Laurent, personagem de Lindon, assume a liderança em uma luta contra essa decisão. A intenção do filme parece muito boa à primeira vista e bastante atraente uma vez que o noticiário apresenta constantemente as tensões sociais, políticas e econômicas que circundam a França, mas no fim das contas não é uma experiência satisfatória. “Este é um filme estrondoso e desconcertantemente cacofônico que apesar de alguns toques inteligentes e perspicazes, é acomodado em promover a autopiedade martirizada. Eu não consigo pensar em um final mais frustrante e derrotista como neste longa na questão da perspectiva dos direitos dos trabalhadores sobre o neoliberalismo”, salienta Peter Bradshaw, do The Guardian. Interessante comparação foi feita por Jordan Mintzer, do The Hollywood Reporter, com outros cineastas europeus. “Poderia se pensar que Brizé se alinharia com os irmãos Dardenne, porém seguindo a longa luta de um homem para encontrar emprego na sociedade francesa, este filme parece mais próximo de Ken Loach ou do início de Paul Greengrass.” Ainda faz destaque a performance de Vincent Lindon: “O filme é ancorado pelo trabalho intenso e físico de Lindon, embora em “At War” seu personagem seja um líder e não um seguidor, mas é uma posição que torna a situação dele ainda mais difícil.” Talvez a melhor conclusão que pode ser feita a respeito da produção seja a da Variety, com a jornalista Jessica Kiang: “Em meio à estética do declínio industrial deprimente, com empilhadeiras estacionadas, pisos de fábrica abandonados e máquinas frias ao toque e que não fazem barulho, o principal valor do comovente, mas ligeiramente insípido “At War” é que dá a Lindon outra oportunidade usar a virtude da decência vulgar e rude do modo como um super-herói pode usar uma capa”. Han Solo: Uma História Star Wars (exibição especial)Dirigido por Ron Howard e com um elenco de peso composto por Woody Harrelson, Alden Ehrenreich, Emilia Clarke, Donald Glover, Thandie Newton e Paul Bettany, o Festival de Cannes recebeu na noite de ontem a estreia mundial de "Han Solo: Uma História Star Wars"! O longa contará a história do personagem Han Solo antes dos eventos de "Star Wars: Uma Nova Esperança", provavelmente focando na amizade dele com o Chewbacca e em como ele construiu sua fama por toda a galáxia. A Variety fala sobre todas as brigas da produção dizendo o quanto afetou realmente o filme: "A coisa mais importante a se notar sobre 'Solo' é que, apesar de seu tumulto amplamente divulgado nos bastidores, culminando com a substituição dos diretores Phil Lord e Christopher Miller por Ron Howard, o filme não é o desastre que sua história de produção pode sugerir. Na verdade, não é nem perto. Embora sobrecarregado com um começo lento, o filme tem coração e suas sequências de ação são espetáculos de máquinas de primeira ordem. Suas performances, começando com Alden Ehrenreich como o jovem Han Solo e estendendo-se a Donald Glover (que rouba muitas vezes a cena) como seu astuto franco-aliado Lando Calrissian, são consistentemente divertidas". O USA Today já começou fazendo inevitáveis comparações com o spinoff anterior: "mais bem sucedido do que 'Rogue One', o primeiro spinoff da saga Skywalker, ele rompe com outros pontos base de Star Wars porque se inclina para os saqueadores, sindicatos da máfia e os aspectos mais sórdidos da franquia. Ao invés de fazer outra corrida contra a Estrela da Morte, é como passar duas horas numa cantina infestada de criminosos do filme original de George Lucas (...) Solo é muito mais parecido um filme do Indiana Jones, na maneira como seu ladino muitas vezes desajeitado salta entre situações pegajosas e, de alguma forma, não acaba sendo comido por um monstro espacial ou explodindo em pedacinhos". A Rolling Stone afirmou que Ron Howard resolveu manter tudo em segurança, sem arriscar demais: "Howard e (os roteiristas Lawrence e Jon Kasdan) fizeram o filme sem nunca levantar as apostas, deixando tedioso e obediente, quando poderiam ter explodido em uma anarquia criativa. Até mesmo a nova partitura de John Powell só sobe quando se trata do tema original de John Williams. E, de alguma forma, Han Solo - o famoso rebelde de Star Wars famoso por quebrar todas as regras - se vê em um filme dentro de todos os padrões". O Indiewire reclamou da mesma coisa, mas de forma menos negativa: "o filme de Howard tem que alinhar uma série de situações esperadas - como Han conseguiu seu nome, onde aprendeu a voar, como conheceu Chewbacca e Lando, quando adquiriu o Millennium Falcon - mas 'Solo' enfia todas essas coisas em um pacote divertido que também funciona muito bem sozinho. Não é tão sombrio quanto o outro filme independente da franquia, o satisfatório e triste 'Rogue One', e mesmo sem batalhas com sabre de luz ou Jedi ou qualquer um alinhado com a Rebelião, ainda capta o humor e o ritmo que as audiências de Star Wars esperam". O The Guardian deu 4 estrelas em 5: "é uma aventura incrivelmente divertida que merece status de episódio completo na grande franquia, não apenas uma dessas interações intermitentes e esquecíveis. Ron Howard nasceu para dirigi-lo. Quem é o próximo da saga? Zemeckis? Spielberg?". Enfim, o filme pode até não levar grandes surpresas, mas se levarmos em contas as notícias da pré-produção, "Solo" parece ser um bom sucesso. Seguro e divertido, feito sob medida pelas mãos de Ron Howard, que sempre mostrou ser um diretor que consegue fazer ótimos blockbuster de luxo. Talvez o que mais atrapalhe possíveis indicações ao Oscar, seja que o filme já está marcado para estrear nos próximos dias e temporada inteira ainda está para acontecer. Fotos do dia 8Danilo Teixeira, Juliana Leão - equipe CETI!
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A cinebiografia de Freddie Mercury com a banda Queen acabou de ter seu primeiro teaser trailer divulgado! O filme contará a trajetória de uma das bandas de rock mais aclamadas no mundo todo. O papel principal ficou para Rami Malek, premiadíssimo ator pela série "Mr Robot". Será esse o primeiro nome garantido para o Oscar 2019? Confira o trailer: Danilo Teixeira - equipe CETI!
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O dia 7 promete: Lars von Trier e Spike Lee, ou seja, vamos ter polêmicas, declarações interessantes e, se tudo der certo, dois filmes excelentes que se tornarão promessas para o Oscar 2019! AsakoO cinema japonês de Ryusuke Hamaguchi chega até Cannes com expectativas em alta. Esse é apenas seu segundo filme como diretor e o primeiro, "Happy Hour", com 5 horas de duração, venceu 2 prêmios no Festival de Locarno: Melhor Atriz e Melhor Roteiro com Menção Especial. O longa conta a história de Asako, uma jovem moça que se apaixona por Baku, um jovem misterioso. Mas ele acaba desaparecendo sem deixar vestígios. Passados dois anos, ela conhece e se apaixona por Ryohei, um homem fisicamente semelhante com Baku, mas com uma personalidade extremamente diferente. O THR foi bem enfático em suas críticas, revelando logo de cara os defeitos do filme: "Há três anos, o diretor japonês Ryusuke Hamaguchi recebeu aplausos e prêmios internacionais com seu drama de cinco horas, 'Happy Hour'. Mas qualquer um que esteja antecipando níveis similares de percepção emocional agridoce da estreia de Hamaguchi em Cannes ficará extremamente desapontado. 'Asako' é um filme muito mais convencional em todos os sentidos, uma representação estranhamente antiquada do romance conturbado cuja premissa levemente incomum acaba levando a nenhum lugar muito interessante. Ainda assim, pelo lado positivo, pelo menos, não se arrasta por cinco horas". A Indiewire também não foi simpática: "'Asako' começa com amor à primeira vista: A estudante universitária Asako (Erika Karata) troca olhares com o arrojado Baku (Masashiro Higashide) em uma exposição de fotografia, e poucos minutos depois de sair da galeria, eles caíram uns nos braços um do outro. Momentos depois, eles são um casal feliz, aparentemente incapazes de entrar em conflito, como se o universo os desejasse juntos. Mesmo quando eles caem de motocicleta e pousam em segurança lado a lado no meio da estrada, eles não param de rir como crianças. Nada pode romper seu vínculo. Se isso soa ridículo, você não está sozinho. É ridículo mesmo". Já o The Wrap foi extremamente compreensivo e fez uma comparação interessante: "Em um dia que viu o retorno de Lars von Trier ao festival que o havia declarado persona non grata sete anos atrás e as primeiras exibições do incendiário “BlacKkKlansman” de Spike Lee, foi fácil para "Asako" de Hamaguchi Ryusuke se perder". Talvez o dia realmente não tenha ajudado, mas o filme Hamaguchi parece ter ficado bem a baixo do esperado e com chances bem reduzidas de sair bem no Festival. De qualquer forma ainda podem acontecer surpresas, pois como disse o The Wrap, o filme pode apenas ter se perdido dentro de tantas estreias maiores. BlackkklansmanSpike Lee está de volta. Um dos filmes mais aguardados em Cannes finalmente estreou! "Blackkklansman" conta a história real de um policia negro que conseguiu se infiltrar na Ku Klux Klan local. Ele se comunicava com os outros membros do grupo através de telefonemas e cartas, quando precisava estar fisicamente presente enviava um outro policial branco no seu lugar. Depois de meses de investigação, Ron se tornou o líder da seita, sendo responsável por sabotar uma série de linchamentos e outros crimes de ódio orquestrados pelos racistas. O filme é protagonizado por John David Washington, Topher Grace, Adam Driver e Laura Harrier. E, obviamente, as expectativas para o Oscar 2019 estão bem altas! "O mais recente filme de Spike Lee conta a história real de dois policiais do Colorado, um negro e um judeu, que se unem para se infiltrar no capítulo local da KKK. Uma incrível história de vida contada de uma maneira exageradamente exagerada, 'BlacKkKlansman' é certamente o filme de entretenimento mais plano de Spike Lee em um bom tempo, assim como seu mais comercial. Contando a história de um novato policial de Colorado Springs que, em conluio com um membro judeu da policia, infiltrou-se na Ku Klux Klan, o diretor leva as travessuras a níveis quase humorísticos às vezes, mas certifica-se de acertar e pontuar inúmeros exemplos de racismo cultural e político, alguns dos quais foram superados, mas muitos dos quais ainda afligem a nação hoje" - escreveu o THR. A Variety elogiou Spike Lee: "Um grande retorno de Spike Lee, esta incrível história real dá ao diretor sincero uma oportunidade madura de concentrar sua frustração de maneira construtiva (...) o último de Lee é uma história convincente de fortalecimento negro, pois é um comentário eletrizante sobre os problemas da representação afro-americana em mais de um século de cinema. Apoiado por Blumhouse e Jordan Peele, produtor de "Corra!", "BlacKkKlansman" também é a melhor coisa que o diretor fez em uma dúzia de anos (desde a minissérie da HBO "When the Levees Broke") e um regresso bem-vindo aos dias em que os filmes de Lee eram um nervo da conversa cultural. Chame-o de "Spike está de volta", e não se surpreenda se o filme - que estreou em competição no Festival de Cannes - provar ser um dos sucessos do verão". O Indiewire faz questão de dizer diversas vezes no texto que esse é o melhor papel da carreira de Topher Grace, será que temos um primeiro nome para Ator Coadjuvante? E ainda faz uma comparação muito interessante com o filme "The Birth of a Nation", de 1915, que prega a KKK como uma força heroica, e é considerado um clássico do cinema: "Muito mais assustador do que é engraçado, “BlacKkKlansman” embala tais assuntos pesados e ultra relevantes na forma de uma noite descontroladamente descontrolada mas consistentemente divertida no cinema. É tão ampla quanto a América é ampla, mas é tão ampla quanto precisa ser. Afinal, "O Nascimento de uma Nação" foi um blockbuster. Foi uma história escrita com relâmpagos. "BlacKkKlansman" é um rolo ensurdecedor do trovão que estamos esperando desde então". Spike Lee conseguiu. E conseguiu muito bem! O filme deve ter vida longas nos festivais e parece ser comercial o bastante para ter boa bilheteria e ser visto com bons olhos pela Academia. Depois das forças de "Moonlight" e "Corra!", talvez seja hora de Spike Lee também mostrar uma ferida aberta dentro da América. Aliás, é bom ter o Spike Lee de volta em sua melhor forma. The House That Jack Built (exibição especial)Ele voltou! Depois de seu banimento do Festival de Cannes há sete anos quando deu declarações polêmicas que simpatizavam com o nazismo, Lars von Trier se tornou uma persona non grata para o cinema. Contudo parece que a sorte dele começou a mudar, já que teve o seu mais novo filme "The House That Jack Built" exibido especialmente no festival, em que ganhou a Palma de Ouro por duas vezes por "Ondas do Destino" e "Dançando no Escuro". E o seu retorno não poderia ser nada mais do que polêmico, e entre aplausos e pessoas abandonando a sessão, ele conseguiu ser bem falado. Para quem não está familiarizado com a história, ela conta sobre Jack, um serial killer altamente inteligente, e descreve sobre os seus crimes cometidos ao longo de 12 anos. As intenções de Von Trier são conhecidas logo no início do longa, é o que destaca David Rooney, do The Hollywood Reporter: "Nunca Lars von Trier foi tão provocador, bad boy orgulhoso como em "The House That Jack Built", mesmo que nem sempre esteja claro se ele está querendo ser travesso ou sério. Ele fala sobre a perfeição aerodinâmica dos bombardeiros alemãs da Segunda Guerra Mundial e as sirenes de indução de terror. Ele não está pedindo desculpas." Olhando para o filme em si, o crítico Peter Bradshaw, do The Guardian, diz que ele não funciona. "O gigantismo que ele tanto procurou e divulgou acaba por ser longo, lento e desagradavelmente sonolento. Sem dúvidas o filme é engenhoso à sua maneira, como muito do que Von Trier faz. Você tem um estrondo, mas é daqueles quando se estoura um saco de papel. Muito muito alto, você se assusta e grita, mas depois isso não fica na sua mente, além de fazer com que você balance a cabeça sem humor diante de tamanha tolice." Portanto temos uma produção problemática, em que muito do que se vê é forçado ou um exagero. Destaque para o elenco composto por Bruno Ganz, Uma Thurman, Riley Keough, Jeremy Davies e Ed Speleers, porém todos os aplausos vão para o desempenho de Matt Dillon. "The House That Jack Built" poderia facilmente entrar no território dos filmes B, se faltasse o desempenho dinâmico de seu protagonista. Dillon pode ter problemas se quiser fazer um filme da Disney depois desta, mas não há dúvidas que ele entrega um monstro impactante com olhos sobressaltados e um sorriso cheio de dentes, que faz Jack parecer ao mesmo tempo empático e maluco.", comenta Eric Khon, do Indiewire. Por fim, não dá para dizer se o cineasta dinamarquês conseguiu ou não o seu objetivo. Nem de perto ele pode ser comparado aos seus aclamados "Dançando no Escuro", "Ondas do Destino", "Dogville" e "Melancolia", mas se era para ser provocador, ele conseguiu mais uma vez. Desta forma, Tim Grieson, do Screemdaily, também conclui: "Empunhando o mesmo poder sombrio, obsessivo e atormentado, Jack está profundamente enraizado na psique de seu criador. Embora os resultados possam ser catárticos para ele, o filme é apenas mediano para o resto de nós." Fotos do dia 7Juliana Leão, Danilo Teixeira - equipe CETI!
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Aproveitando a estreia em Cannes, Lars von Trier lançou o primeiro trailer de "The House That Jack Built"! O filme, que é protagonizado por Matt Dillon e Uma Thurman, conta doze anos da vida de Jack, um ardiloso serial killer de mulheres que tem um único objetivo sangrento a cumprir: executar o crime perfeito, sem deixar nenhum tipo de rastro. O longa estreia em Cannes essa noite, então, amanhã teremos as primeiras impressões! Confira o trailer abaixo: Danilo Teixeira - equipe CETI!
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Enquanto a disputa pela Palma de Ouro segue mostrando seus favoritos, surpresas e decepções, as mostras paralelas também nos entregam grandes filmes e que talvez tenham algum espaço na temporada de premiações que está por vir. É por isso que fizemos esse post especial com 4 filmes que chamaram a atenção e merecem ser comentados: "Mandy", "O Grande Circo Místico", "Fahrenheit 451" e "Papa Francisco: Um Homem de Palavra". Confira como foi a recepção dos filmes e veja fotos de como foi o tapete vermelho:
Juliana Leão e Danilo Teixeira - equipe CETI!
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O sexto dia de festival ficou marcado pela presença de Roberto Benigni, vencedor do Oscar de Melhor Ator e Melhor Filme Estrangeiro por "A Vida é Bela". Roberto deu palestras, entrevistas, divertiu o tapete vermelho e participou da exibição do filme "Happy as Lazzaro". Ainda no dia foi exibido o ótimo "Shoplifters", de Hirokazu Koreeda, grande concorrente pela Palma de Ouro. Happy as LazzaroEm 2014, com "As Maravilhas", Alice Rohrwacher recebeu o Grande Prêmio do Júri em Cannes. Agora, quatro anos depois, ela volta ao Festival com as expectativas em alta com o filme "Happy as Lazzaro". O longa é uma leitura livre de uma história bíblica, que fala sobre Lazzaro (Adriano Tardiolo) um garoto pobre e pouco inteligente, mas extremamente bondoso. Ele é explorado pelos familiares, fazendo trabalhos forçados diariamente, além de colaborar com a marquesa, proprietária das terras onde vivem. No entanto, após uma tragédia, Lazzaro retorna à vida no século XXI. Ele não compreende mais a lógica deste mundo, mas pretende reencontrar a sua família e viver como antigamente. O filme se saiu muito bem com a crítica, que enfatizou que o filme italiano deve conseguir bastante espaço nos festivais de arte, principalmente por brincar com a temporalidade: "Rohrwacher criou uma fábula realista-mágica que serve como um mito de origem para uma Itália moderna submetida à corrupção e ao declínio. Tal como aconteceu com seu filme anterior, este é filmado em Super 16mm, emprestando ao filme um tom sépia granulado que inicialmente evoca calor e nostalgia, mas também nos remete a coisas como decadência" - escreveu o The Guardian, que entregou 4 estrelas em 5. O THR elogiou a parte artística, mas achou que a metade final deixou a desejar: "O filme se arrisca muito porque é lindamente feito - novamente filmado em 16mm pela francesa DP Helene Louvart - e bem-interpretado, e o público com certeza perdoará não entender cada uma das coisas, ou apenas aceitará como uma parábola ou uma alegoria. Mas parece que a segunda parte precisava de mais alguns rascunhos antes que estivesse pronto para entrar em produção." A Variety também enalteceu o longa: "A narrativa folclórica, o realismo mágico que percorre o tempo e o drama social inspirado por fatos fundem-se na história de uma inocente vida rural, desafiando as certezas para testemunhar duas eras separadas de exploração social e econômica. O resultado é um pouco lento, mas fascinante e recompensa a paciência dos espectadores com humor e graça incomum, selando o status de Rohrwacher como uma major europeu verdadeiramente distinta". O longa deve trilhar um bom caminho em festivais e Rohrwacher outra vez se torna um nome interessante para receber algum prêmio em Cannes. Mas para ser o represente da Itália no Oscar, provavelmente o filme é aberto demais. ShopliftersEspecialista em longas centrados em tramas familiares, o diretor japonês Hirokazu Koreeda regressa a Cannes em sua quinta participação na seleção oficial do festival. Ele já ganhou o Prêmio do Júri em 2004 pelo filme "Pais e Filhos", e agora exibe o drama "Shoplifters" com muito sucesso, creditado como um retorno maduro e doloroso aos seus dramas socialmente conscientes. Um dos primeiros pontos a chamar a atenção está no roteiro, que engana de maneira positiva, uma vez que no início ele te leva a ter uma expectativa sobre o filme e no decorrer se mostra ainda mais profundo. "No início, parece estar se preparando para ser uma fábula agridoce, uma atualização japonesa contemporânea de "A Felicidade Não Se Compra", mas à medida que as camadas da história sobre uma família alternativa vivendo um estado de espírito peculiar vão sendo removidas, somos confrontados com uma crítica de aço. Um filme sobre os fracassos da sociedade (e da humanidade)", destaca Lee Marshall, do Screemdaily. Cannes realmente está rendida ao trabalho de Koreeda, uma vez que Maggie Lee, da Variety, também faz coro: "Em "Shoplifters" ele continua seu exame contínuo do que constitui uma família e se ela ainda pode fornecer coesão à sociedade que está rapidamente se transformando. Ao mesmo tempo o filme é charmoso e comovente, primorosamente executado e vai roubar os corações do público de arte e do mainstream." A história tem um ponto de partida aparentemente bem simples que diz sobre uma família de criminosos de pequeno porte que adota uma criança que encontra na rua, porém o suficiente para fazer refletir e suspirar. Tudo no filme chama atenção pela delicadeza e sinceridade, desde o roteiro, como já falado, passando pelas interpretações, a direção, a fotografia, o som... cada momento, detalhe, olhar e sorriso é para ser apreciado. Para se ter um exemplo, Peter Bradshaw, do The Guardian, seleciona uma cena para comentar a singeleza que este filme tem: "É curiosamente sedutor quando Osamu e Noboyu fazem sexo pela primeira vez depois de muito tempo. Ao final eles se recostam languidamente em seu minúsculo apartamento completamente nus, parecendo estarem entre 10 e 20 anos mais jovens: você pode imaginá-los como um jovem casal. Isso é incrível". "Shoplifters" deixou em Cannes uma sensação de querer mais e mais participar das vidas daquela estranha família, que perdurasse a experiência de assistir ao longa. Grande trabalho de Hirokazu Koreeda e de seus atores Kirin Kiki, Lily Franky, Sôsuke Ikema, Mayu Matsuoka e Sakura Andô, que vem forte pela Palma de Ouro. Em tela estão refletidas a história de um grupo de pessoas assustadas e feridas, que permanecem juntas sob a bandeira da família e sob o radar da lei, elas procuram fazer o melhor no dia a dia, até perceberem que tem feito o pior das coisas. Fotos do dia 6Juliana Leão e Danilo Teixeira - equipe CETI!
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O quinto dia de Festival foi revolucionário. 82 mulheres do cinema tomaram o tapete vermelho para protestar contra o machismo absoluto dentro de Hollywood e os filmes do dia foram políticos e absolutos em sua críticas. Girls on The SunNum dia determinante e histórico para o Festival de Cannes, em que 82 mulheres, profissionais do cinema, se reuniram no tapete vermelho para protestar contra a desigualdade de gênero e a favor da equiparação salarial, temos o debut da cineasta Eva Husson com o seu contundente e atual drama "Girls on The Sun". O desafio de falar sobre um filme em que a mulher é a protagonista de várias formas: dirigido por uma mulher e sobre um grupo de mulheres que lutam corajosamente contra o Estado Islâmico. Pode-se dizer que o longa recebeu críticas mistas ao final, isso porque ele não pareceu tão claro em delimitar a sua proposta, o que considerava certo e o que considerava errado. Peter Bradshaw, do The Guardian, preferiu ser positivo quanto a história: "Essas mulheres não são satirizadas e não estão dramaticamente sujeitas a essa contínua exposição à guerra que acabará por tornar qualquer soldado, homem ou mulher, dessensibilizado no que diz respeito a matar. [...] "Girls on The Sun" pode para dividir quanto as suas intenções. Para mim, ele é sincero, franco e musculoso." Entretanto a mesma opinião não foi compartilhada por Jay Weissberg, da Variety, que critica desde o roteiro, que chama de batido e que se encaixaria numa produção da década de 50, até as suas escolhas. "O longa é bem-intencionado, mas repleto de clichês que querem arrancar lágrimas. [...] A diretora em sua pesquisa fez com que criasse algo que tivesse o objetivo de gerar simpatia popular pela causa, mas escrever um filme de TV glorificado não era o caminho a seguir." Ainda se destacam as atuações de Golshifteh Farahani e Emmanuelle Bercot, que tentam garimpar no filme as melhores interpretações. Adotando um tom mais moderado na review, Jordan Mintzer, do The Hollywood Reporter, define que a trama tem traços levemente angustiantes, mas repleta de exageros, que acabam por tirar a sutileza, prejudicando um discurso que tinha tudo para ser digno. "Husson nunca nos deixa esquecer que esta é uma história de perigo, de mulheres corajosamente arriscando suas vidas. A diretora faz um bom trabalho tornando as cenas de batalha viscerais e poéticas, com fumaça e outros efeitos usados para ilustrar o nevoeiro de guerra que Bahar e Mathilde estão." No final se tem a impressão de que um excelente filme filme foi desperdiçado por escolhas ruins. Husson quer contar e esclarecer uma história importante e aterrorizante, que perturba a cada nova manchete sobre o assunto, porém apresenta uma abordagem que acaba por manipuladora e extravagante para o gênero. O resultado é um filme que parece mais fantasia do que realidade. Three FacesAssim como o russo Kirill Serebrennikov, que estreou no segundo dia de festival mas não esteve presente por estar cumprindo prisão domicilar, o diretor Jafar Panahi também não veio para Cannes, pois desde 2011 está cumprindo pena por fazer propagandas contra o governo. O longa fala sobre um cineasta e uma atriz de cinema que chegam a um pequeno vilarejo na fronteira com a Turquia para investigar a veracidade de uma mensagem enviada por uma jovem aspirante a atriz que, diante da pressão da família contra suas ambições artísticas, teria se suicidado. Panahi sempre foi considerado um cineasta revolucionário. E os aplausos da imprensa confirmar isso muito bem. A THR escreveu: "as ideias tradicionais sobre a virilidade masculina e o lugar da mulher em casa são desafiadas no alusivo pensamento de Jafar Panahi, '3 Faces' (Se Rokh). É o quarto longa-metragem que ele fez desde que foi oficialmente proibido de dirigir filmes pelas autoridades iranianas. Tão enganosamente simples como o seu título, que se refere a três atrizes do passado, do presente e do futuro, '3 Faces' é um cinema iraniano encantador no seu mais puro estilo. Desafiadoramente moderna em sua mensagem libertadora sobre a liberdade de escolha". O Indiwire também falou sobre a forma revolucionária do diretor, dentro de uma sociedade que prega tantos limites: "uma obra perspicaz da censura e opressão em uma sociedade. que aceita esses fenômenos como fatos da vida". Como costuma acontecer, o próprio Panahi é ator de seus filmes, que acabam sempre contando que pontos de vistas muito pessoais: "a certa altura, a mãe do cineasta o chama, preocupada com relatos de que ele está fazendo outro filme, desafiando a proibição do governo. Ele garante a ela que são apenas "rumores", e isso pode não ser uma mentira - "Three Faces" é mais um esboço de longa metragem, com um instantâneo de personagens projetados para ampliar a lente em um país determinado a estreitá-la" - escreve a Indiewire. Panahi entrega outro filme politicamente necessário e urgente. Que deve ter vida longa nos festivais ao longo do ano e pode conquistar algum prêmio dentro de Cannes. Fotos do dia 5
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Toda edição do Festival de Cannes sempre proporciona um par de momentos a ficarem eternizados, afinal que um dia pensaria que o lendário cineasta francês Jean-Luc Godard poderia conceder uma entrevista na coletiva de imprensa através do Skype? Seu "Le Livre D'Image" é uma artística provocação ao mundo em colapso que vivemos hoje e teve repercussão mediana, uma vez que é sempre um desafio compreendê-lo. Já da China tivemos "Ash is Purest White", um drama romântico em que o mais interessante não é o relacionamento entre o casal, mas a China em profunda transformação. Le Livre D’ImageToda e qualquer oportunidade de ver Jean-Luc Godard no cinema em uma produção inédita precisa ser comemorada. Este é o resultado de uma carreira brilhante, que marcou não somente a cinematografia francesa ou europeia, mas mundial. Um ícone, um estilo, muitas inquietações e muitas cenas para ficar na memória. Depois de ganhar o Prêmio do Júri em 2014 por "Adeus à Linguagem", o cineasta retorna a Cannes para exibir "Le Livre D'Image", também chamado por seu título em inglês "The Image Book". As primeiras reações ao longa, que foi exibido no Grand Théâtre Lumière, apontam como uma obra inestimável, principalmente porque ela desafia a estimativa ou avaliação normal. Isso porque mais um vez Godard propõe a arte, como tudo o que é visto relação as imagens, ao som, ao texto e as cores brilhantes e selvagens. A questão é tão provocadora que Jonathan Romney, do Screamdaily, afirmou o seguinte: "O trabalho de Godard é tão difícil, que entrega ao espectador com um desafio singular: encolher de ombros e assumir, como muitos já fizeram no passado, que o diretor perdeu o fio da meada (como se ele estivesse interessado em algo tão linear como um fio) ou apostam que há uma lógica oculta no trabalho e se submetem (criticamente, é claro) a essa lógica." A sinopse oficial da trama diz que "Nada além de silêncio. Nada além de uma música revolucionária. Uma história em cinco capítulos, como os cinco dedos de uma mão", reflexivo logo de começo. De fato confirmado por "Le Livre D'Image" dispensa uma narrativas de diálogos e atores, no lugar usa uma boa quantidade de vozes gravadas, incluindo a do diretor. Nas telas são sequenciadas imagens hiper-carregadas e com cortes brutos, tornando uma tempestade de flashs, ora narrado, ora escrito. São textos em tela, clipes de filmes e de TV, obras de arte, etc. Em um dado ponto do filme, o diretor começa a juntar algumas cenas de execuções terroristas, principalmente as perpetradas pelo Estado Islâmico, a paranoia nuclear, o nazismo, é deste ponto que o objetivo do filme começa a ficar mais claro: o mundo está em colapso. Entretanto Todd McCarthy, do The Hollywood Reporter, vai pontuar que "Mesmo assim Godard permanece mais um sloganeer inteligente do que um pensador político analítico e persuasivo. [...] existem maneiras de se envolver com esse trabalho altamente idiossincrático, pelo menos por um tempo. Alguns traços do Godard permanecem, assim como de sua própria maneira de olhar para a história, que é ao mesmo tempo doutrinária e pessoal, mesmo se suas preocupações e atitudes, por vezes, pareçam tão enredada e entrincheirada como vinhas velhas." A sensação ao final do filme é de profundo desamparo, como se não houvesse mais nada para agarrar. Eric Khon, da Indiewire, vai concluir dizendo que "Godard deu adeus à linguagem alguns anos atrás, mas que com "Le Livre D'Image" agora ele dá de ombros". Entretanto, este trabalho que as vezes parece insolente, só ganhará completo sentido com aqueles seus fãs fiéis e com os acadêmicos entusiastas, uma vez que compreender Godard também é arte. Ash is Purest WhiteQue o cinema chinês procura ser cada vez mais mercadológico isso não há dúvidas, uma vez que tem se movimentado significativamente para entrar no cinema ocidental com foi com "A Grande Muralha" ou em receber Hollywood em suas salas, gerando milhões em entradas através de ingressos. Concomitante a esta característica, o escola cinematográfica chinesa permanece com suas raízes firmes em propor produções pungentes e relevantes, como é o caso de "Ash is Purest White". O diretor Zhangke Jia propõe contar sobre uma história de amor violenta dentro de um período de tempo que vai de 2001 a 2017. A jornada de uma mulher submissa em um relacionamento com um criminoso e o quanto o capitalismo crescente na China a afeta. O que é visto logo no início do filme quando vemos pessoas dançando YMCA do Village People em uma festa, como se fosse um pressentimento desse mundo novo que está por vir para o país. "Há um brilho futurista misterioso: um miasma de estranheza visionária que dá um brilho distinto à determinação social-realista. [..] O que significa tudo o que eu vi em "Ash Is Purest White"? Não tenho certeza. Parece uma parábola emocionante para a vaidade dos desejos humanos, ao mesmo tempo um retrato apaixonado do mal-estar nacional.", pontua Peter Bradshaw, do The Guardian. Se foi a intenção do cineasta Zhangke Jia trazer a evolução chinesa como mais um personagem a trama não está claro, o fato é que com intenção ao não, ela é. O trabalho dos atores Tao Zhao e Fan Liao é excelente no ponto de vista que encarnam de forma muito verossímil aquelas duas pessoas a margem da sociedade, separadas por suas escolhas erradas - uma vez que ele é uma especie de gangster - e com suas expectativas sobre a vida completamente frustradas. Contudo é a China que grita, pois é isto que afirma Emily Yoshida, da Vulture: "No final, a transformação da China é mais atraente do que o amor de Qiao por Bin, mas observar os dois se desdobrando com o tempo é continuamente instigante, dada a efemeridade de cidades inteiras e muito mais dos casos de amor." No longa, ainda quanto ao destaque aos protagonistas, toda a atenção a atriz Tao Zhao, que se sobressai em um papel de complexidade hipnotizante e a mais destacada, até o momento, ao prêmio da Palma de Ouro de Interpretação Feminina. A jornalista Maggie Lee, da Variety, ainda continua os elogios aos atores: "Liao é um dos poucos atores do continente que interpretaria um canalha e um macho abusivo sem reservas. Enquanto sua intensidade pode ser exagerada, ela é controlada pela aura equilibrada de Zhao". A jornada do diretor Zhangke Jia no fim é positiva, talvez não por ele, mas por aquilo que estava ao redor dele. Fotos do Dia 4Juliana Leão - Equipe CETI!
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