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É sempre interessante quando conseguimos acompanhar o movimento de mudança das críticas de alguns filmes. Ao longo dos anos, longas que não foram bem aceitos nas suas estreias, acabaram se tornando cult, ou foram muito mais valorizados. Um desses casos recentes é o "Babilônia" de Damien Chazelle, que pouco tempo depois, já é muito mencionado como um filme que merecia muito mais, inclusive no Oscar daquele ano. Outro caso que parece estar caminhando para isso é o "Aqui", de Robert Zemeckis. Dave Kehr — um dos historiadores e críticos de cinema mais respeitados do último meio século — quebrou o silêncio sobre "Aqui" e, ao que parece, é um grande admirador: "Sou um grande fã de Robert Zemeckis e seu último filme é realmente uma obra-prima. Como um experimento em estilo cinematográfico, acho-o muito avançado". Para quem não conhece, a opinião de Kehr não é a de qualquer um. Ex-crítico do Chicago Reader e atual curador-chefe do departamento de cinema do MoMA, ele é influente há muito tempo — uma figura cujos escritos ajudaram a moldar o cinema. Martin Scorsese citou a importância de Kehr, assim como o falecido Peter Bogdanovich. E ele não está sozinho. Nos últimos meses, um punhado de estudiosos e críticos de cinema começaram a defender o filme de Zemeckis. A adaptação ousada e inovadora de Zemeckis da graphic novel de Richard McGuire foi impiedosamente criticada pela crítica especializada em sua estreia em novembro passado. A obra detém a péssima nota 40 no Metacritic e 35% no Rotten Tomatoes. A bilheteria do filme foi igualmente brutal: US$ 12 milhões com um orçamento de US$ 60 milhões, apesar de ter sido exibida em quase 3.000 telas após o lançamento. No entanto, a maré da crítica pode estar começando a mudar para "Aqui". Inicialmente considerado um experimento equivocado, o filme está agora, muito lentamente, e apenas em certos círculos, construindo a reputação de uma das obras mais ousadas e incompreendidas do ano passado. Abrangendo milênios, do Paleolítico ao futuro distante, e filmado inteiramente da perspectiva de um único ângulo de câmera imóvel, "Aqui" acompanha um local fixo à medida que gerações o atravessam. Tom Hanks e Robin Wright são digitalmente rejuvenescidos (e posteriormente envelhecidos até os 80 anos) enquanto o filme comprime o tempo em algo fluido, surreal e profundamente melancólico. Cahiers du Cinéma o chamou de um "experimento radicalmente formalista" que "ousa confinar o cinema a um único quadro, abrindo-o ao próprio tempo". O filme está até sendo comparado a Terrence Malick, Apichatpong Weerasethakul e até mesmo Alain Resnais. Entre o crescente coro de vozes que reconsideram "Aqui" está Bilge Ebiri, da New York Magazine, que há muito tempo defende filmes ambiciosos e polarizadores. Ebiri especula que o filme pode ser "um desastre hoje, um clássico amanhã", gerando comparações com "O Ano Passado em Marienbad", de Alain Resnais, por sua manipulação do tempo e do espaço. Além disso, o The Film Stage o apelidou de "o filme experimental de maior orçamento já feito". O Ringer o colocou em seu Top 10 de 2024. Os críticos da Slant Magazine também o nomearam um dos melhores de 2024, mencionando novamente que se trata basicamente de um "filme experimental genuíno, financiado e distribuído por um grande estúdio". A cineasta Vera Drew expressou sua conexão emocional com o filme: "Chorei o filme inteiro. De dinossauros a Ben Franklin. Filmes deveriam ser assim, seus hipsters de merda. Trinta anos atrás, isso teria arrecadado um bilhão de dólares e teria ganhado o prêmio de melhor filme." Robert Zemeckis coleciona alguns clássicos em sua filmografia, será que "Aqui" vai fazer parte dessa lista com o passar dos anos?
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